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O "Monumento às
Bandeiras" (foto), obra de autoria de Victor Brecheret (1894 -
1955), instalada no parque do Ibirapuera, Zona Sul de São Paulo
(SP), foi alvo de pichação. Exposta na praça Armando Salles de
Oliveira, o conjunto de estátuas apareceu pintado na segunda-feira.
Até a conclusão desta edição, os vândalos não foram identificados.
A escultura com 240 blocos de granito, cada um pesando
aproximadamente 50 toneladas, com 50 metros de comprimento e 16 de
altura, foi inaugurada em 1954, juntamente com o Parque do
Ibirapuera para as comemorações do IV Centenário da cidade de São
Paulo. A obra representa os bandeirantes, expondo suas diversas
origens e o esforço para desbravar o país. Além
de portugueses (barbados), vemos na
obra negros, mamelucos e índios (com cruzes no pescoço), puxando uma
canoa de monções, utilizadas nas expedições fluviais.
UMA LENDA URBANA MUITO CONHECIDA a
respeito do célebre monumento, popularmente chamado de
"Empurra-empurra" e "Deixa-Que-Eu-Empurro", refere-se ao fato da
embarcação não sair do lugar, a despeito do contingente que
supostamente a puxa. A "resposta" estaria no fato de que as figuras
à frente da comitiva não estariam, realmente, tentando mover a
canoa, pois as correias estão visivelmente frouxas. A única figura
que realmente estaria esforçando-se é a última, a empurrar o
barco. Victor Brecheret foi um escultor ítalo-brasileiro,
considerado um dos mais importantes do país. É responsável pela
introdução do modernismo na escultura brasileira. Sua figura ficou
marcada pela boina que usava. Nascido "Vittorio Breheret" (sem a
letra 'c' no sobrenome) numa pequena localidade não distante
de Roma, emigrou para o Brasil ainda na infância.
No Brasil,
tornou-se "Victor Brecheret" e, com mais de trinta anos de idade,
recorreu à Justiça para inscrever seu registro de nascimento
tardiamente no Registro Civil do Jardim América (município de São
Paulo). Assim, Brecheret consolidava a sua nacionalidade brasileira.
Este tipo de "regularização" era muito comum entre imigrantes
italianos na primeira metade do século XX no Brasil. Mundo de
expiação e provas é assim: os vândalos estão por toda parte. Quanto
às providencias das autoridades, nada consta. (ALEX MONTEIRO)
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