Em busca do PODER

Há diferença entre o exercício do poder e a autoridade
(ESPECIAL PARA O JORNAL DOS ESPÍRITOS)
Estudando os mecanismos de adaptação à realidade podemos perceber que existe uma tendência em ver as coisas de acordo com os nossos desejos. O domínio afetivo exerce forte influência e nossa percepção é alterada.  Conseguir enxergar as coisas como realmente são torna-se muito difícil. Isso deve estar acontecendo agora, enquanto estamos escrevendo ou lendo.

 

Para o presidente, os defeitos de seus adversários são os piores possíveis, enquanto os de seu colaborador vice-presidente são mitigados. Se a realização do desejo é o importante para que nos favoreça somos capazes de torcer a realidade (catatimia).

 

Por outro lado podemos encontrar um outro mecanismo de adaptação que é a projeção. Aquilo que ele não admite encontrar no seu próprio mundo interior, pois é inadmissível, ele encontra com extrema facilidade no adversário.

 

Assim projetamos no outro a nossa raiva. Dessa tendência a projetar (no outro) sentimentos que não podemos reconhecer em nós mesmos é que se originam os delírios de perseguição.
O futuro vai contar ao presidente (centro espírita), com projeto de eternizar-se no poder, que sua gestão foi “um golpe falso no bilhar”, porque sofreu influência de seu “vice”, que na “realidade” era de outro partido (religião).


Chávez, após a derrota no referendo, não escondeu a fúria e atribuiu a culpa à imaturidade da sociedade e dos eleitores, sobretudo à classe média, que não percebeu a vantagem de eternizar o mandato presidencial, modificando 69 dos 350 artigos da Constituição. Isso faz lembrar o professor Emérito Ives Gandra: “Não é porque a evolução revelou que determinados direitos e princípios são bons e merecem garantia que são eles naturais, mas porque verdadeiramente intrínsecos à natureza humana”.

concordamos com Carlos Aveline: “Criar estruturas coletivas saudáveis não é fácil”. “Como organizar uma estrutura de poder que seja coerente com a busca espiritual? O caminho espiritual envolve situações coletivas em que surge a questão do poder, da organização, dos relacionamentos inter-pessoais e das decisões em grupo. Existem pessoas que buscam o poder coercitivo, que é um mecanismo doentio, sob o ponto de vista psicológico.

 

A ânsia de poder neste caso não se origina da força, mas da fraqueza. Ela é expressão da incapacidade do eu individual para ficar sozinho e viver. É um esforço desesperado para conseguir força simulada quando se tem falta de força autêntica. O oposto do poder neurótico e manipulador não é a ausência de poder e de liderança, mas o poder solidário, a estrutura que se organiza para facilitar a ajuda mútua”.

 

Jesus constituiu um grupo de trabalho e a unidade se deu em torno do objetivo comum. Cada individualidade foi estimulada no seu potencial. Apesar de sua grandeza espiritual ele nunca se colocou superior ao grupo.
Uma casa espírita deve pensar na sociologia da solidariedade. “Um modo solidário de produzir, trabalhar e viver em sociedade. Esse modo solidário de produção começa a ser possível quando os indivíduos definem como meta exigir mais de si mesmos do que dos outros, e decidem controlar mais a si mesmos que ao mundo externo”.
São inadequadas as estruturas de poder que repousam na idealização cega de uma pessoa ou aquelas baseadas na desconfiança e na competição. O exercício da sinceridade solidária é saudável. A dose certa de ceticismo evita a cegueira, embora dose excessiva possa asfixiar.
O The New York Times, jornal norte-americano, destacou a renúncia do cargo de presidente do Senado: “a última de uma série de investigações sobre corrupção que perseguiram o governo do presidente Silva” no ano passado. Anteriormente um senador brasileiro chegou a dizer que “a Casa está desmoronando”, ao referir-se desanimado ao que chamou de “farsa montada” no caso Renan.
Na Venezuela o não ganhou com 51 por cento dos votos. A diferença é pequena. O “eterno” presidente explica a derrota através da imaturidade da sociedade e dos eleitores. Mas, o sim obteve expressiva votação (49%). Não teria ele alguma razão, atirando no que viu e acertando em outro alvo?
Líderes não procurem apegar-se aos cargos. Na casa espírita, o modelo é Jesus.

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