DIREITO א vidaDIREITO א vida

Como age o cidadדo espםrita em relaחדo א polםtica? Como vem sendo sua conduta em יpoca de eleiחדo?
Parece-me que a grande maioria nדo י apaixonada pelo tema, ficando alguns surpresos com o doutor Bezerra de Menezes.
“A polםtica י a ciךncia de criar o bem de todos e nesse princםpio nos firmaremos” (Deputado A. Bezerra de MenezeO cidadדo brasileiro י responsבvel na escolha dos representantes para o Poder Pתblico. Como deve o espםrita comportar-se neste momento grave? Qual a importגncia do seu voto? Seremos responsבveis pelos resultados do novo governo?
“O pior analfabeto י o polםtico. Ele nדo houve, nדo fala, nem participa dos acontecimentos polםticos. Ele nדo sabe que o custo de vida, o preחo do feijדo, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remיdio dependem das decisץes polםticas. Esse analfabeto se orgulha dizendo que odeia polםtica. Mas י da sua ignorגncia polםtica que nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos que י o polםtico vigarista e corrupto.” Foi, mais ou menos, assim que disse Bertold Brecht.
Que contribuiחדo podemos dar como cidadדos espםritas? Serב que a frase corriqueira “nדo devemos misturar Espiritismo e polםtica” na realidade nדo estב escondendo insuficiךncias e deficiךncias?
Se examinarmos a frase do Deputado Bezerra de Menezes vamos notar que estב implםcita a idיia de que o homem de bem י um ser polםtico. O que precisa ficar claro י que nדo devemos misturar Doutrina Espםrita com polםtica partidבria. Mas podemos, num critיrio apartidבrio, examinar a ciךncia de criar o bem de todos. A finalidade da Doutrina Espםrita י contribuir para o progresso da humanidade. Isto י pensar no prףprio bem estar futuro, isto י, reencarnar numa sociedade melhor, mais justa, onde encontrarב uma lideranחa intelecto-moral.
“Saber י o supremo bem, e todos os males provיm da ignorגncia.“ (Leףn Denis, “No Invisםvel”, sיtima ediחדo, pבg. 341.FEB)
O espםrita deve ficar atento para nדo repetir os erros do passado. Para tanto bastarב lembrar os perםodos histףricos de evoluחדo das Religiץes. No inםcio encontramos a pureza original da fי, em seguida surge a organizaחדo eclesiבstica, que num outro momento sente a ambiחדo pelo poder temporal, levando-a א decadךncia. Dizia o professor N.G.Barros: “o terceiro perםodo caracteriza a ausךncia de confianחa na maternidade do espםrito. Logo, podemos concluir que a Religiדo deixa de ser movimento espiritualizante, para se transformar em Partido Polםtico de conquista do Poder Temporal. Sem a conscientizaחדo de que hב em nףs um princםpio inteligente eterno e perfectםvel, nenhuma Religiדo ou Filosofia se liberta do Poder Temporal e da Decadךncia Prףpria.”

ֹ pertinente enfatizar que precisamos estar atentos para nדo deixar a casa espםrita se transformar em comitך de campanha ou palanque de candidato. Ela deve ser apartidבria e aם, tambיm concordamos, que “Espiritismo e polםtica nדo se misturam.” O espםrita, como ser social, deve participar da sociedade e colaborar na sua transformaחדo. A casa espםrita nדo estב impedida de orientar seus freq?entadores, quanto א importגncia do voto consciente. A pessoa vך a sociedade como algo abstrato e fica com a sensaחדo de que nדo faz parte dela, lavando as mדos.
A resposta do espםrito Bezerra de Menezes nos deixa cientes da necessidade do voto consciente: “quando vocך votar e o paםs tomar o rumo, entדo vocך י responsבvel, porque o rumo que o paםs seguir, serב o resultado do homem que vocך escolheu.”
Para o espםrita, o candidato deve estar liberto do ter. Zaqueu seria, na יpoca, um bom candidato: “Senhor, dou a metade dos meus bens aos pobres e, se causei dano a alguיm, seja no que for, indenizo-o com quatro tantos.” O moחo rico perdeu a eleiחדo! Dar aos pobres talvez fosse mais fבcil, o problema era seguir Jesus.
O candidato deve estar liberto do poder. Na estrada de Damasco Saulo de Tarso era o poder equivocado, mas compreendeu a verdade que o libertou.
“De boa vontade pois me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.” (2 Corintios 12: 9)
Uma outra caracterםstica dos polםticos do futuro, lםderes autךnticos, י que serדo “pobres de espםrito”. A incredulidade zombou dessa mבxima. Eruditos, doutores nדo entenderam a mensagem de Jesus, porque julgavam possuir muito saber e, por isso, alimentaram a falsa idיia de superioridade e infalibilidade.
Alguns dizem que o parente-candidato nדo י bom, mas que vדo votar nele assim mesmo, porque pelo menos tirarדo algumas vantagens. ֹ o pensamento inconsciente imediatista incapaz de prever as conseq?ךncias. O mesmo espםrito Bezerra de Menezes adverte: “Se vocך escolheu, porque tinha interesses pessoais e nדo os interesses da comunidade, responderב pelo carma histףrico e coletivo que virב.”
E, se com essa mesma falsa idיia, diante das cגmaras de TV, o candidato escolher o aborto?
Algumas pessoas, sem refletirem, defendem o aborto dizendo que a sociedade deve fazer sua opחדo num plebiscito. Poder-se-ia, no mesmo momento, perguntar sobre pena de morte, eutanבsia e outros. Apףs ouvם-los alguns vדo chegar א conclusדo que: “matar י a coisa mais natural deste mundo”.
Li, na Ciךncia e Cultura (37 (8): 1296-1297. 1985), um artigo que nדo aceitava o argumento de que o aborto “mata uma vida em formaחדo”. Ora, diz o mיdico e autor, “se seguirmos esse tipo de raciocםnio, teremos de admitir que os mיtodos anticoncepcionais tambיm fazem o mesmo: matam pela raiz. Continua o articulista: – “o casal que evita o coito genital nos dias fיrteis da mulher, consciente e deliberadamente estב a impedir uma crianחa de viver.” Seguindo a mesma linha de raciocםnio, lembramos dos espermatozףides na masturbaחדo masculina, o que, para ele, deve impedir muitas crianחas de viverem. Serב que, para ele, um programa de planejamento familiar nדo seria uma medida preventiva do aborto?
O problema nדo י tדo simples como parece e por isso mesmo nדo pode ser tratado simplisticamente. O articulista de Ciךncia e Cultura, no entanto estב coberto de razדo, quando afirma que “temos o dever de nos integrarmos ativamente no debate, pois nדo nos cabe o direito de permanecer alheios א discussדo de nenhum tema de relevגncia nacional.” ֹ necessבrio realmente refletir antes de votar!
Nדo concordamos com sua tese, mas o felicitamos por discutir a questדo, expondo-se com coragem. Lembramos que este י um tema mascarado e escondido por hipocrisias e tabus, que sofre pressדo atי internacional, alיm de ser um grande estimulante de radicalismos.
No Jornal do Conselho Federal de Medicina (pבgina 10, agosto de 1994) duas cartas receberam o mesmo tםtulo: “Aborto e Anacronismo”. Nelas, as representantes da Comissדo de Cidadania e Reproduחדo e da CEPIA (Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informaחדo e Aחדo) manifestam profundo respeito e admiraחדo pela atitude que chamaram de corajosa de dois mיdicos. Eles admitiram publicamente que, mesmo contra a Lei, por solicitaחדo materna, interrompiam gestaחץes em casos de anomalias fetais graves.

 

Uma professora de Filosofia, nas suas reflexץes, diz que “a reivindicaחדo do direito de decisדo sobre o aborto י contestada pela Igreja Catףlica como negaחדo das orientaחץes religiosas.” E, continua: – “estranha argumentaחדo, que parece esquecer que nem toda a humanidade י catףlica (ou mesmo cristד) e que aqueles que nדo o sדo devem ter o direito de optar por diferentes regras de vida.”
Isto me lembrou debate onde um ex-deputado, depois de fazer um resumo crםtico do pensamento exposto pelos debatedores, acusou-os de estarem batendo sobre a velha tecla ao defenderem o voto. Disse o ex-deputado: – “Vocךs me desculpem, mas jב vi esse discurso. O cidadדo vota, cruza os braחos e vota quatro anos depois.

 

As democracias modernas nדo se explicam mais apenas com modelos de representaחדo.”
Um jornalista usou da palavra e ironizou a crםtica, dizendo que o interesse do ex-deputado nדo era debater, mas impedir um acordo que estava comeחando a surgir. Para colocב-lo no que considerou o eixo do debate perguntou-lhe: “O voto י o ponto central da democracia ou nדo י?“ E, continuou: “Nדo adianta dizer que י velho. Vocך tem uma novidade melhor? E sabe porque י tדo difםcil aceitar isso? Porque dב trabalho, י lento, י chato! Porque, nדo י bastante ser brilhante, inteligente e ter boas idיias, י preciso ter a maioria, e isso complica as coisas!” (O Globo, 12. O Paםs. Sבbado, 7-9-1996).
Serב que candidatos א Presidךncia da Repתblica, por medo de se revelarem ou por ausךncia de reflexדo, vדo se recusar a discutir o assunto na TV?
Certamente alguns candidatos (deputados e senadores) vדo ficar escondidos na sombra de sua covardia.
Pergunta central: deve-se aceitar o aborto de uma jovem, gestante HIV-positiva, grבvida pelo estupro?
O candidato pensarב: “a gravidez vai acelerar a infecחדo do vםrus e a mulher, jב agredida pelo estupro, certamente nדo vai querer um filho, que vai nascer com Aids.”
Gostaria de pedir ao leitor e eleitor que nesse momento parasse e refletisse um pouco antes de responder a questדo. Deve-se aceitar o aborto?
E, nessas condiחץes?
Responda para si mesmo. Marque a resposta no parךnteses correspondente para depois verificar se mudou de idיia. Sim ( ) Nדo ( ). Marque, tambיm, a resposta do seu candidato ( ) Sim ( ) Nדo.
Somos livres para pensar e decidir. Eu, particularmente, sou contra qualquer tipo de censura, o que nדo י o mesmo que denunciar a “televisדo” que estב deseducando a populaחדo em geral e a crianחa em particular. ֹ dever do cidadדo, principalmente dos especialistas em saתde integral, exigir o cumprimento do disposto no Capםtulo V da Carta da Repתblica, sobre Comunicaחדo Social. A Constituiחדo Federal, estabelece prioridades educativas, artםsticas, culturais e informativas para o rבdio e a televisדo, afirmando que um dos princםpios que devem guiar a programaחדo י o respeito aos valores יticos e sociais.
O Artigo 220 recomenda a criaחדo de meios legais que garantam א pessoa e א famםlia a possibilidade de se defenderem de programas de rבdio e TV. Nדo podemos deixar de lembrar que a famםlia, base da sociedade, tem proteחדo especial do Estado e י dever da famםlia e do Estado assegurar א crianחa e ao adolescente acesso א cultura, א dignidade e א convivךncia familiar e comunitבria.
O Ministיrio Pתblico Federal deve tomar as providךncias que lhe cabem no sentido de fazer cumprir o disposto na Carta da Repתblica. Qual a colaboraחדo que o candidato, em quem vocך votou, tem dado nesse sentido?
O Carlos Eduardo Novaes era colecionador de pיrolas polםticas e disse certa vez que “os maus governantes sדo eleitos pelos bons cidadדos que votam mal.” Alguיm pode querer manipular o que foi dito e י necessבrio enfatizar que o voto י o centro da democracia. Podem falar mal, botar milhץes de defeitos, podem dizer que o processo י enfadonho, trabalhoso, lento, digam o que quiserem, mas os cientistas ainda nדo descobriram algo melhor.
Em uma coisa temos que concordar com o Novaes: “O maior defeito da democracia י que somente o Partido que nדo estב no governo sabe governar.”
“Bem aventurados os que tךm fome e sede de justiחa, porque serדo fartos.” (Mateus, 5)
E sobre o aborto? Qual a posiחדo do seu candidato? E a sua? Gostaria de modificar a resposta oferecida naquele primeiro momento? Ainda hב tempo!
Na יpoca em que estudei os aspectos legais e יticos do abortamento o capםtulo VI do Cףdigo de ֹtica, que trata da responsabilidade profissional mיdica, dizia que o mיdico responde civil e penalmente por atos profissionais danosos ao cliente, a que tenha dado causa por imperםcia, imprudךncia, negligךncia ou infraחץes יticas (artigo 45). Serב muito diferente para os profissionais da Comunicaחדo Social?
O aborto י um tema que origina hoje reaחץes extremadas, em paםses desenvolvidos, resultando em sיrios problemas de seguranחa, como descrito por Sampaio (Reformador, pבg. 176-179, junho de 1998): “Certo Pastor de uma igreja fundamentalista passou quatro anos preso por colocar bombas em dez clםnicas onde o aborto era realizado. Sua agressividade chegou a tal nםvel de insanidade que, solto persiste em sua cruzada, e י responsבvel pela origem de adesivos para serem colocados em vidros de veםculos com a seguinte sugestדo: Executem os Aborteiros Assassinos.”
Na sociedade que ainda dב os primeiros passos da evoluחדo, a luta, que se deveria processar no campo das idיias, se transforma em agressץes fםsicas. O movimento religioso, deturpando os verdadeiros valores produzem as “guerras-santas”. A liberdade de credo י constitucionalmente garantida no Brasil, mas jב existem ensaios de violךncia de alguns que se dizem religiosos. Recentemente, houve uma manifestaחדo ruidosa em um “Shopping”, pasmem, no Rio de Janeiro, contra um espetבculo teatral, onde o Codificador da Doutrina Espםrita estaria representado.
A idיia de imortalidade e reencarnaחדo apavora tanto quanto a do “Prםncipe das Trevas”. ֹ tדo difםcil produzir argumentos racionais contrבrios א primeira, quando favorבveis א segunda! Diante da impotךncia e do desespero sף resta a eles uma alternativa. Aם o argumento אs vezes י muito forte!
O mיdico nדo deverב provocar o abortamento, salvo quando nדo houver outro meio de salvar a vida da gestante ou quando a gravidez resultar de estupro, mas sempre depois do consentimento expresso da gestante ou de seu representante legal (Cףdigo Penal, art. 128).
“ֹ na consciךncia humana que se encontram os princםpios que darדo autoridade para todos, quando forem proclamados pela vontade nacional e convertidos em leis pelos eleitos do povo.” Leףn Denis (6)
Uma de minhas filhas fazia o internato no Hospital. Lב ela recebeu e trouxe para casa um “material didבtico” que trazia o tםtulo: “Pratique Solidaried’Aids”. Nele encontramos “os dez mandamentos da luta contra a Aids”. O primeiro era: “Amarבs a vida sobre todas as coisas”, e, o quinto, “Nדo engravidarבs nem amamentarבs sendo HIV positiva”.
A gestante, da questדo central, recebeu estas informaחץes.
E, se o feto foi gerado sem os hemisfיrios cerebrais (anencיfalo)? Isso, tambיm, acontece na vida real!
Questץes semelhantes nos fizeram escrever o livro, “Dores, Valores, Tabus e Preconceitos” (ver livraria do Geae – http://www.geae.org), porque raciocםnios como estes muitas vezes transcendem o espaחo de um artigo.
O leitor gostaria de pensar novamente na questדo originalmente proposta? Lembremos a existךncia de um dado complicador, o estupro. ֹ uma questדo complexa como aquela que ocorreu durante a tempestade no mar.
Num naufrבgio mדe e filha תnica se separam. As ondas afastam a filha. De repente uma outra crianחa agarra-se א mדe. O que fazer? Salvar a crianחa, que tem nela a תltima chance de sobrevivךncia, ou largב-la e procurar salvar a prףpria filha?
“A vida isolada י a vida egoםsta, a vida selvagem; a vida em comum י a vida moral, que faz nascer o direito e o dever…” (Leon Denis)
Como devemos agir? Como justificamos o agir?
Todas as decisץes implicam num processo de escolha, que י precedido de julgamento, que por sua vez י determinado, entre outros fatores, pelo valores pessoais daqueles que decidem. Os valores ou a formaחדo de valores, por sua vez, sדo uma conseq?ךncia das atividades dos indivםduos dentro de um meio social. ֹ bom lembrar que a influךncia de valores pessoais em julgamentos muitas vezes nדo י consciente. Serב que o leitor respondeu, a questדo central deste texto, de modo inconsciente?
Existe estudo informando que o direito de matar o nascituro, em ambiente hospitalar, nדo diminuiria o aborto ilegal ou clandestino. Este argumento, utilizado a favor do aborto, י assim muito desvalorizado.
Vocך exclamaria: mas י um caso de estupro! Recuso-me a aceitar uma gravidez que se originou de um ato violento.
E, tem toda a razדo, pois י difםcil aceitar que a Justiחa Divina se valha de um expediente tדo sףrdido para provar ou punir. Que Deus י esse que ainda deixa a crianחa nascer com Aids? Aliבs este Deus י hoje responsבvel por tantas outras coisas!
Alguns deseducadores religiosos, que trabalham com a Pedagogia do medo, substituem o Deus por outra “divindade” capaz de fazer o grande milagre, o de extrair dףlares de pessoas ingךnuas.
Todos um dia saberדo que temos guias espirituais que nos protegem e que nos falarדo a respeito de que estamos aqui para aprender; do propףsito superior de nossas vidas. No entanto, respeitando o livre arbםtrio individual, nos permitem prosseguir numa situaחדo se assim o desejarmos. Eles tךm o cuidado de nדo eliminar nossas liחץes. Se estivermos avanחando na direחדo de algo que irב nos ensinar uma liחדo valiosa porיm difםcil, eles poderדo nos mostrar maneiras mais alegres de aprender a mesma coisa. Se resolvermos persistir no caminho original, eles nדo tentarדo impedir-nos. Cabe-nos escolher a alegria, mas caso aprendamos melhor atravיs da dor e do esforחo, os guias espirituais nדo os afastarדo de nףs (9). A Doutrina dos Espםritos nos ensina que o acaso nדo existe no universo, onde Leis Divinas e justas regem a vida fםsica e moral.
Alguns mיdiuns nos deixam estupefatos.
Nostradamus previu a decapitaחדo do Duque e deu o nome do carrasco, que foi escolhido “ao acaso”, na hora. Isto 66 anos apףs a morte do mיdico francךs (1503-1566). O cבlculo matemבtico da probabilidade desta prediחדo estaria na proporחדo de um para cinco milhץes contra o acaso.
Conheci uma pessoa que nדo consigo esquecer. Fomos visitב-la e, para nדo ir sף, convidei um amigo. Era uma visita fraternal porque o nosso amigo estava numa enfermaria. Quando chegamos, encontramos um grupo que tinha ido levar a bioenergia aos pacientes. Ao perguntarem quem rogaria ao Pai, antes do passe, o meu amigo “enfermo” se ofereceu. Eu e o outro, sentados com ele na cama, ouvimos sua prece que arrancou lבgrimas de todos. Marcondinho agradeceu a Deus, justo e bom, pelo dom da vida. Agradeceu א sua mדe a oportunidade da reencarnaחדo e אs Entidades Venerandas, atravיs de Kardec, pela Codificaחדo da Doutrina Espםrita, que ele aprendera a amar no Centro Espםrita Filhos de Deus, A Casa do Caminho, no Curupaiti. E, onde ele havia adquirido resistךncia moral contra as dores.
Se a mדe de Marcondinho soubesse que a Hansenםase, na יpoca sem tratamento, o deixaria cego, com os braחos e as pernas atrofiados, levando-o א cadeira de rodas; se ela soubesse dos seus sofrimentos, talvez tivesse feito a opחדo pelo aborto. No entanto, teve um filho amado e inesquecםvel, tambיm para outras pessoas. Os espםritas vדo entender quando eu disser que o Marcondes trabalhava na reuniדo mediתnica e teve oportunidade de ajudar espםritos desencarnados, que ainda estavam sofrendo com o estigma da lepra e as seq?elas da hansenםase.
Marcondes havia entendido a frase registrada por Marcos, Lucas, Mateus e Joדo, que י estudada no Evangelho Segundo o Espiritismo, no capםtulo 24, item 18.
“Se alguיm quiser vir nas minhas pegadas, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”
“Bem aventurados os que choram, porque serדo consolados” (Mateus, 5).
Emmanuel pede que reparemos, em plena Natureza, todos os elementos, que em face do mal, oferecem o melhor que possuem para o reajustamento da harmonia e para a vitףria do bem. “Quando o temporal parece haver destruםdo toda a paisagem, congregam-se as forחas divinas da vida para a obra do refazimento. O sol envia luz sobre o lamaחal, curando as chagas do chדo. O vento acaricia o arvoredo e enxuga-lhe os ramos. O cגntico das aves substitui a voz do trovדo. A planםcie recebe a enxurrada, sem revoltar-se, e converte-a em adubo precioso. O ar suporta o peso das nuvens e o choque da faםsca destruidora, mas torna א leveza e א suavidade. A בrvore de frondes quebradas ou feridas regenera-se, em silךncio, a fim de produzir novas flores e novos frutos. Aprendamos a receber a visita da adversidade, educando-lhe as energias para proveito da vida. A ignorגncia י apenas uma grande noite que cederב lugar ao sol da sabedoria. Entendamos o bem”. ( Fonte Viva, dיcima nona ediחדo, p.85-86, FEB).
Com esse pensamento Paulo se dirigiu aos companheiros:
“Nדo te deixes vencer pelo mal, mas, vence o mal com o bem.” (Romanos, 12: 21)
Voltemos א questדo central!
Que estigma! Filho de um estupro!
Tendemos a acreditar que alguיm com um estigma nדo seja um ser humano. Com base nisso, fazemos discriminaחדo, reduzimos sua chance de vida, como o fizemos com os antigos leprosos, com a filha da prostituta ou com o ex-presidiבrio.
Hansenianos e indivםduos HIV positivos sדo portadores de um estigma mais do que de uma doenחa. Antonio Magalhדes Martins, autor do livro “Do Outro Lado Da Fronteira” disse certa vez que eu jamais teria possibilidade de entender o que י ser discriminado como leproso. Mas, o seu livro י tדo esclarecedor! Disse-lhe na ocasiדo. Ele retrucou: “experiךncia vivida nדo pode ser transmitida”. Esta foi a resposta de minha mulher, quando indaguei sobre a dor do parto.
Serב Deus tדo injusto? Mas, se for injusto deixa de ser Deus! Como compreendך-Lo?
Luciano dos Anjos (1) escreveu que nדo devemos nos cansar de pesquisar, discutir e conceber a Eterna Substגncia, que deve ser ainda um dos primordiais – senדo o תnico – objetivos filosףficos da criatura. Comenta que apףs um politeםsmo esdrתxulo, embora acalentando-o com a unicidade mosaica desse Criador, nada melhor nos apresentaram alיm de um Deus antropomorfo, pessoal e todo-poderoso. A conseq?ךncia natural י o ateםsmo, quando nדo leve direto ao materialismo absoluto.
No livro de uma professora de filosofia, formada pela USP, nas suas reflexץes finais ela diz que “numerosas investigaחץes cientםficas parecem atestar que o nתmero de ףvulos fecundados, que sדo expulsos espontaneamente, antes da implantaחדo no תtero, י extremamente elevado – cerca de 30%. No entanto, continua a pensar a professora, hב argumentos religiosos que insistem que a alma passa a pertencer ao novo ser no momento da fecundaחדo.” Em seguida, pergunta: “qual o destino dessa alma que tem seu futuro interrompido precocemente por um Deus tדo esbanjador?” (Maria Tereza Verardo. 1987. Aborto. Um direito ou um crime. Editora Moderna).
Certamente se fפssemos esse Deus, tambיm nדo farםamos melhor!
“Nדo hב, nדo houve, nדo haverב poesia. Vencido o silךncio, a palavra י mutilaחדo.” (J.G. de Araתjo Jorge, apud L. Anjos)
O espםrita, que י jornalista e escritor diz que nדo י fבcil concebך-Lo ( embora talvez nדo seja impossםvel) fora dessa idיia em que a maioria das religiץes e das escolas filosףficas O apresentam. Mas י preciso compreender que, afinal, י exatamente fora dessa idיia que Ele se encontra e daם a dificuldade mesma de entendך-Lo.
“Arte י גnsia de conter o infinito numa expressדo.” (Gilka Machado, apud L. Anjos)
Apףs passar rapidamente em revista algumas escolas filosףficas, o escritor, nos mostra o esforחo de muitos que tentaram resolver a Grande Equaחדo. Definiחץes e conclusץes enquadram-se, duma forma ou doutra, dentro de trךs posiחץes fundamentais para explicar Deus: o Ateםsmo, o Panteםsmo e o Teםsmo. O Teםsmo, sem dתvida, foi que mais se aproximou da verdade, porיm, ainda assim, apenas nas suas linhas gerais. Adotou a melhor posiחדo teolףgica no quadro genיrico das concepחץes. Todavia nדo soube avanחar na explicaחדo detalhada. E, quando o fez, fך-lo mal.
“Deus! O terrםvel problema! Quando a ciךncia chega aqui, ou emudece ou blasfema.” (Guerra Junqueiro, apud L. Anjos)
O leitor jב percebeu que nדo hב intenחדo de nossa parte em desenvolver a questדo como alguns gostariam de ver desenvolvida. Por isso, sugiro a leitura da obra, colocada nas referךncias bibliogrבficas, para que possam apreender o pensamento do autor. Cabe-nos transcrever, ainda, que “ninguיm se aproximou tanto da concepחדo de Deus, capaz de suportar o raciocםnio moderno, do que o monismo vedantino.”
“Uma generalizaחדo que termina num Deus pessoal nדo pode ser universal, nדo pode ser verdadeira. Temos de ir adiante, ao Impessoal. O Deus Impessoal que propomos nדo י um Deus relativo; por isso nדo se pode dizer que ele י bom ou mau, mas que י algo alיm do bem e do mal, porque nדo י bom nem mau.” (Swami Vivekananda, apud L. Anjos)
Luciano dos Anjos (1) diz: “ importa esclarecer bastante um aspecto da questדo: Deus impessoal na transcendךncia e pessoal na imanךncia jב se propפs e representa de fato um grande passo na direחדo da Verdade; entretanto, o Deus que proponho י impessoal na imanךncia e na transcendךncia”, dentro de um absurdo que analisou posteriormente.
Informaחדo pertinente י que o autor, depois de inתmeras reflexץes afirma que a melhor explicaחדo de Deus, sem dתvida, hב de ser aquela dada pelos Espםritos a Allan Kardec, por vבrios motivos e, ainda, porque se houvessem ido mais alיm nos confundiriam a razדo.
“Que י Deus? – Deus י a Inteligךncia suprema, causa primבria de todas as coisas.”
Anteriormente, discutindo as condiחץes da vida apףs a morte, aproveitando a dתvida apresentada por um mיdico, nos socorremos do depoimento de um outro. O mיdico Andrי Luiz retorna א nossa dimensדo graחas a extraordinבria mediunidade de Francisco Cגndido Xavier e conta com detalhes a sua experiךncia do outro lado da vida. Para ilustrar o pequeno capםtulo utilizamos as experiךncias de quase morte, quando as pessoas se lembram de sua breve passagem do outro lado. Comentamos que a nossa ansiedade nos faz desafiar uma pessoa, que passou pela experiךncia autoscףpica, a provar que a morte do corpo nדo mata a vida. No entanto, observa-se que estas pessoas nדo estדo interessadas em fornecer tal prova a terceiros. Uma delas disse: “Quem teve a experiךncia sabe. Os outros devem esperar a prova final”. (Dores, Valores, Tabus e Preconceitos. CELD Editora)
Para as pessoas que tiveram a experiךncia do “Transcendente”, a existךncia de um Deus Imanente e Transcedente nדo י uma questדo de crenחa infundada, mas um fato baseado numa vivךncia direta. Assim como nossas atitudes acerca da realidade material da nossa vida diבria sדo baseadas, primeiramente nas percepחץes sensםveis.
Guardadas as devidas proporחץes este comentבrio faz lembrar o de Erick Fromm quando afirmou que “o inconsciente sף o י em relaחדo ao estado normal de atividade”, “sדo simplesmente estados mentais diversos, que se referem אs modalidades existenciais diferentes.” Assim, podemos admitir que a mente consciente constitui apenas parte do psiquismo total. Existe uma vida psםquica chamada de “inconsciךncia”. Esta atividade psםquica י o principal protagonista, quando o sono retira a outra de cena. Na realidade o inconsciente acha-se representado naquela fraחדo do sonho que se registra na memףria consciente.
“Se eu quiser falar com Deus tenho que aceitar a dor, tenho que comer o pדo que o diabo amassou, tenho que virar um cדo, tenho que lamber o chדo dos palבcios suntuosos do meu sonho, tenho que me ver tristonho, tenho que me achar medonho e apesar de um mal tamanho alegrar meu coraחדo.” (Gilberto Gil)
Vocך tambיm lembrou do Marcondinho?
Devemos permitir que uma mulher portadora do vםrus da Aids fique grבvida?
Jב se falou atי na esterilizaחדo de homens HIV positivos, embora nדo haja justificativa de ordem יtica ou legal capaz de legitimar esta prבtica.
E se a mulher HIV positiva desejar ter um filho? Nדo discutimos o valor do diagnףstico precoce permitindo א mulher evitar a gravidez. Mas, e se ela jב estiver grבvida? Legalizado o aborto, o mיdico que se recusar a fazך-lo poderב ser demitido por justa causa?
Quando estamos diante de um dilema devemos discuti-lo e sף tomar uma decisדo apףs profunda reflexדo. Quando discutimos estamos perguntando a resposta a Deus. Ele nos responde quando estamos fazendo a reflexדo, com profundidade e extensדo. Hב, entדo, maior lucidez, aumento do nםvel da consciךncia, local onde estדo escritas as Leis Divinas.
Por isso oramos, antes da decisדo.
“ֹ da discussדo que nasce a luz”.
Ouvi, certa vez, uma discussדo, diבlogo, entre duas pessoas (8, 16). Uma delas havia enfrentado, com muita angתstia, um aborto espontגneo. Percebi que, embora fossem do mesmo credo, apresentavam posiחץes antagפnicas. Senti vontade de entrar na discussדo, sem ser convidado, mas observando anteriormente que eram materialistas resolvi ficar, discretamente, escutando.
Muitos tךm fי no niilismo, como elas, e acreditam na inexistךncia de vida apףs a morte, embora esta tese seja defendida sem nenhuma evidךncia experimental que a suporte. Atי hoje ninguיm provou que nדo existe vida depois da morte, mas, alguns defendem quase fanaticamente essa idיia. Sem saber se estaria diante de uma delas, resolvi recolher-me א minha insignificגncia. As pessoas de credo materialista, acreditam no nada, geralmente se recusam a olhar pela janela espiritualista, que fica no lado oposto do cפmodo. O fanבtico י cego אs evidךncias cientםficas acumuladas e que apontam na outra direחדo.
Afirmo que o Corynebacterium diphtheriae produz porfirina, que י fluorescente sob luz U.V.. O pigmento fluorescente pode ser facilmente pesquisado e usado como triagem no diagnףstico laboratorial da difteria (12). Afirmo, porque tenho evidךncias experimentais que suportam essa afirmaחדo, mas ninguיm atי hoje me deu evidךncias de que a morte do corpo mata a vida.
“Richet disse que uma boa e completa experiךncia vale por cem observaחץes, e acrescentaremos: vale dez mil negaחץes, ainda mesmo quando essas negaחץes emanassem de sumidades de maior notoriedade, se estas nדo se dignassem repetir as experiךncias e demonstrar-lhes a falsidade” (Gabriel Delanne, 1893).
Voltemos ao diבlogo entre as duas senhoras.
Uma opiniדo apresentada por uma delas, a de que o aborto י um direito, foi o que me chamou a atenחדo. Vivemos nos equilibrando entre direitos e deveres!
Disse: “a campanha pela legalizaחדo do aborto deve seguir na direחדo pura e simples do direito de abortar, nדo necessitando, a mulher, explicar que hב problemas com o feto ou que foi estuprada. O aborto nדo deve ser considerado crime e o argumento que invoco י um sף. A mulher pode dizer que nדo quer este filho e que seu corpo lhe pertence. Este י o projeto de lei pelo qual anseiam as mulheres.”
Diz a outra:
“mas, aqui o direito de um implica na morte do outro. Nדo podemos auto-atribuirmos a decisדo e a aחדo de matar o outro. Isto י questדo de poder acumpliciado a uma licenחa יtica. ֹ exatamente o que se dב com o polםtico que leva o povo א guerra; dב-se ainda com o terrorista, com o torturador, com os assassinos de todos os matizes. Poder e nדo-יtica associados produzem todas as lesץes ao outro: o roubo, a censura, o seq?estro, a lista י longa”.
Leףn Denis (6), que foi um orador brilhante, fez uma conferךncia em Tours, na sala do Cirque e posteriormente em Orlיans, na sala do Instituto, em fevereiro e abril, respectivamente. A acolhida que lhe foi feita, e o convite insistente de um grande nתmero de ouvintes, permitiram que hoje pudיssemos estudב-lo. Nele Denis diz: “nףs que desejamos uma ordem social baseada na Justiחa e na Liberdade, faחamos inicialmente, justos e virtuosos a nףs mesmos, tornemos nossos coraחץes livres, as razץes esclarecidas, os costumes dignos, as consciךncias honestas e marchemos nףs, em frente, sem fraquejar.”
Voltemos ao diבlogo das duas amigas.
Em defesa de suas idיias, continuou a senhora: “o aborto nדo י um direito, י uma possibilidade decorrente do poder e da anestesia da consciךncia, como escravizar o negro, matar judeus.”
“A Idade Mיdia foi a idade de ferro, a idade do feudalismo, a idade onde as fogueiras crepitaram, onde o sangue corria em torrentes nas salas de tortura, onde as incontבveis forחas se erguem com os seus frutos sinistros.” (Denis)
Como que se nדo tivesse escutado os argumentos apresentados, surge a rיplica:
“A legislaחדo do aborto nדo dב א mulher autonomia sobre seu corpo. Precisamos entrar na modernidade! Estamos atrasados em relaחדo א Itבlia, Alemanha ou א Franחa.”
O leitor tambיm jב ouviu essa conversa antes, nדo?
Alguns acreditam que o que se USA lב deve-se USAr cב!
Nem nos EUA a lei י abrangente!
“Sim”, concorda a outra. “Mas, nדo seria o caso de ampliar a informaחדo sobre anticoncepחדo? Usar do direito de nדo engravidar, nestes dias modernos de Aids, usar a camisinha e exigir a colaboraחדo do companheiro? Afinal, a eficiךncia dos anticonceptivos י prףxima de 100%! “
“ֹ, mas um dia a casa cai e vocך aparece grבvida, minha filha! – disse a outra.”
A resposta veio na ponta da lםngua: “mas a culpa י do bebך?” O ףvulo י seu. O תtero, tambיm, mas o ovo fertilizado י outra pessoa!
“Na alma humana existe um sentimento natural que a eleva acima de si mesma para um ideal de perfeiחדo no qual se resumem essas potךncias morais denominadas o Bem, a Verdade e a Justiחa. Esse sentimento, quando estב esclarecido pela Ciךncia, quando י fortificado pela razדo, quando tem por base essencial a liberdade de consciךncia, da consciךncia autפnoma e responsבvel, esse sentimento י o mais nobre de quantos possamos conhecer.” ( Denis)
Pudemos ouvir o silךncio, enquanto a outra engolia em seco, embora nדo se desse por vencida.
“Sim, mas enquanto os t-e-ף-r-i-c-o-s, como vocך, discutem se o feto com duas ou com quatro semanas jב י uma pessoa, a mulher engrossa as estatםsticas. Vocך sabia, minha cara, que nos meados de 1985 o aborto era a quarta causa de morte? Que o INAMPS gastava 46% do orחamento de obstetrםcia em complicaחץes causadas pelo aborto? Que a Organizaחדo Mundial de Saתde indicava, em 1978, a ocorrךncia de 3 a 5 milhץes de abortos anuais no Brasil e que isso representava 10% dos casos no mundo? As mulheres pobres vדo continuar abortando com agulha de tricפ?
A conversa estava tדo quente que resolvi escutar ainda mais discretamente. Conclui que a intuiחדo mais uma vez havia me favorecido. Afinal poderia sobrar pra mim. E se uma delas resolvesse olhar na minha direחדo e me perguntasse: “o senhor nדo acha?”
Eu nדo poderia ser indelicado e responder: “Eu nדo acho nada, minha senhora!”
De repente a outra, olhando para minhas mדos e, como se quisesse me envolver na discussדo disse: “Espera aם, vamos entrar nessa de que o Ministיrio da Saתde adverte… e, gastar fortunas dos recursos pתblicos, para tratar enfisema e cגncer pulmonar que apareceram por causa de uma droga socialmente aceita?
“Minha amiga”, falou com tom de piedade, “nדo seria melhor investir numa estrutura melhor para gerar filhos? Investir em creches e oferecer orientaחדo sobre contracepחדo? O paםs jב tem os sistemas de comunicaחדo bem desenvolvidos י sף questדo de vontade polםtica fazer a opחדo pela educaחדo!” e, arrematou: “Isto nדo י o mesmo que colocar o aborto na lei e a consciךncia fora da lei?”
Nesta hora achei que a outra nדo ia conseguir sair da lona, enquanto eu, o juiz, contava atי dez.
“Hב pessoas com nervos de aחo.” Lupicinio Rodrigues
Como lutador de excelente preparo fםsico ela ficou de pי, e: “Ora, minha amiga, estamos discutindo a existךncia de alguיm que ainda nem י uma pessoa. ֹ apenas um amontoado de cיlulas. Eu estou defendendo a mulher e vocך vai ficar defendendo um feto!”
“A mulher י sempre ignorada. Essa י a grande questדo do nosso sיculo. As mulheres que abortam, no Brasil, nדo o fazem por opחדo. Quando falo no direito de abortar falo em direito א vida humana, decente e digna. ֹ preciso existir estrutura para gerar filhos, foi vocך mesma quem colocou!”
E agora, vocך jב descobriu qual possui a capacidade maior de argumentar e contra-argumentar? As mulheres que defendem os seus direitos precisam ser ouvidas. Eu sou a favor da competךncia, esteja ela de saia ou nדo.
“Sim”, veio a resposta: “e deve ser aם que devemos gastar a nossa energia e nדo tentando desumanizar o outro! Sempre que se quer humilhar, castrar, limitar ou matar o outro, recorre-se a esta tיcnica consagrada. O primeiro ato י des-humanizar. Se o embriדo י um vir a ser, mas nדo י ainda por que nדo suprimi-lo em favor dos que sדo?
Hitler e Stבlin tinham idיias, atי nobres, pelas quais se auto-atribuםram o direito, e atי o dever, de matar judeus, dissidentes, capitalistas, comunistas e catףlicos.
O que se quer י “des-humanizar” o embriדo para adormecer as consciךncias com uma legitimidade.
A ciךncia nדo tem uma definiחדo de vida, portanto nדo pode justificar um procedimento tדo grave sobre o que desconhece.”
“Hב pessoas com nervos de aחo, sem sangue nas veias e sem coraחדo.” Lupicinio
Eu nדo sei onde esta conversa foi parar, mas ela me estava fazendo pensar tanto, que jב me sentia cansado. Foi com certa contrariedade que tomei o פnibus e deixei as senhoras com as suas reflexץes. Mas, ainda consegui ouvir:
“O Brasil continua na Idade Mיdia em relaחדo א condiחדo da mulher.”
Para essas mudanחas chegarem, precisamos de pressדo e conscientizaחדo.”
Creio que os trךs concordבvamos, aם nדo tםnhamos dתvidas! Pressדo de ambas as partes, favorecendo a reflexדo. E, conscientizaחדo ampla, geral e irrestrita, sem escamotear os argumentos espiritualistas.
O Boletim Informativo AJA/PB (Ano 1, nתmero 6, julho-setembro, 1996), nos lembra que pouco antes da Guerra de Secessדo, em 1857, a Corte Suprema dos Estados Unidos declarou que o negro nדo era pessoa ante a lei por sete votos a dois. Um sיculo mais tarde, em 1973, no caso Roe X Wade tambיm por sete votos a dois, a mesma Corte Suprema declarou que o nascituro nדo era pessoa ante a lei. Os argumentos foram semelhantes: 1. (1973) Toda mulher tem direito a fazer o que queira com o seu corpo, (1857) todo homem tem direito a fazer o que queira com a sua propriedade; 2. (1973) Ainda que possua um cיrebro e biologicamente seja considerado um ser humano, o nascituro nדo י pessoa ante a lei, (1857) Ainda que possua um cיrebro e biologicamente seja considerado um ser humano, o negro nדo י pessoa ante a lei; 3. (1973) Acaso nדo serב o aborto mais humanitבrio? Afinal nדo tךm todos os bebךs o direito de serem desejados e amados? Nדo י melhor que a crianחa jamais chegue a nascer do que enfrentar sozinha um mundo cruel? (1857) O negro nדo tem direito a ser protegido. Nדo י melhor ser escravo do que ser enviado sem preparo a um mundo cruel? E, por aם vai!
Voltemos א questדo original. Vocך י contra! Nדo gostaria de pensar de novo, rever a resposta?
Vocך י contra o aborto e defende a manutenחדo de um ףvulo fecundado ao mesmo tempo que condena א morte prematura uma mulher, que deixarב outros filhos ףrfדos?
ֹ melhor evitar o nascimento de milhץes de crianחas sem famםlia, sem lar, sem proteחדo e que serדo os marginais do futuro ou os jogadores da seleחדo, que irדo perder ou ganhar novamente o campeonato mundial de futebol. Serב que o direito א vida deve ficar atrelado a classe social privilegiada?
Agora, o leitor, estב comeחando a entender as nossas raras lideranחas generosas que lutam por oferecer o aborto atravיs de nossa rede pתblica. Vamos voltar a esse assunto mais adiante. “Me aguarde!”
Na realidade o que estב por trבs deles י a insensibilidade, que se acompanha do medo. Medo de dividir o bolo da riqueza nacional.
“Bem aventurados os misericordiosos, porque alcanחarדo misericףrdia.” (Mateus, 5)
Alguns vדo parar de ler neste momento. Irדo argumentar que o assunto e muito difםcil ou alegar que jב estדo cansados de pensar. ֹ assim que cometemos os maiores crimes. Nדo gostamos de pensar e tomamos decisץes de forma irresponsבvel e inconsciente. Alguns se recusam a examinar as evidךncias cientםficas da imortalidade da alma e os diversos casos sugestivos de reencarnaחדo, publicados por pesquisadores competentes e sיrios. Sדo incapazes de perceber que a questדo da sobrevivךncia da alma, depois da morte fםsica, י tema crucial para a educaחדo, porque pode influenciar a hierarquia de valores, padrץes יticos, cףdigos morais e comportamento dos seres humanos.
Aqueles que se recusam a discutir esta questדo tornam-se cegos. Nדo sabem que os recentes progressos no novo paradigma da Biologia e da Fםsica fortaleceram ainda mais as evidךncias de que a consciךncia humana sobrevive א morte do corpo fםsico. Morre a persona, mas a individualidade י indestrutםvel. Seu destino posterior י um tema que merece reflexדo. Onde ficam empilhadas as almas depois que perderam seus envoltףrios materiais?
O Brasil faz milhץes de interrupחץes de gravidez anuais. Nossas enfermarias recebem um grande nתmero de mulheres, na maioria adolescentes, apresentando complicaחץes decorrentes desta prבtica. Isto aumenta o םndice de mortalidade materna que י dezenas de vezes maior do que a mortalidade nos paםses desenvolvidos.
Vocך י favorבvel ao aborto e afirma que a mulher י dona do prףprio corpo.
Sim, ela י e concordamos.
Defendendo veemente a posiחדo, vocך arremata: o feto י simples apךndice da mדe, nדo sendo pessoa humana nדo possui direitos!
No entanto, a partir do momento em que uma pessoa י gerada ela tem as mesmas caracterםsticas e direitos que qualquer outra.
O aborto י um tema que precisa ser amplamente discutido pela sociedade. Atי mesmo a classe cientםfica deixa a desejar. Relata Gollop que em 1976, quando levantou em plenבrio da Sociedade Brasileira de Genיtica, a necessidade de profunda discussדo acerca da mudanחa na lei do aborto a resposta do plenבrio fך-lo chegar א indignaחדo: “esse י um problema dos obstetras! Nףs, geneticistas apenas faremos os diagnףsticos.”
Outra evidךncia da necessidade de socializar esta discussדo י o desconhecimento por parte das aflitas gestantes de que 94% dos exames י tranq?ilizador e permite ao casal levar adiante uma gravidez livre de angתstias. Os resultados obtidos com 348 entrevistas realizadas com gestantes que se dirigiam ao diagnףstico prי-natal, demonstraram que 86% delas optariam por interromper a gravidez, caso o diagnףstico revelasse um feto anפmalo. (Gollop, T.R. & Pieri, P.C. “A reformulaחדo do cףdigo penal versus Juiz autoriza aborto no Paranב”, Pediatria Moderna, 24(3): 382-383, 1994). Estes nתmeros parecem indicar a necessidade de um amplo trabalho de educaחדo integral que pudesse aumentar o nםvel de informaחדo e formaחדo nדo apenas neste campo restrito.
O interesse pela Medicina Fetal nדo deveria ser movido apenas pelo fato de conferir maior “status” aos Departamentos de Obstetrםcia e Ginecologia.
Concordamos com Gollop quando lembra a importגncia do respeito pela pluralidade de idיias e pelo livre arbםtrio dos seres humanos e discordamos dos que acreditam deter o privilיgio de toda a informaחדo.
“O estado social valerב o que nףs valemos. Se nףs somos retos, justos, esclarecidos, o Estado serב grande; se somos pequenos, ignorantes e viciosos, o prףprio Estado serב frבgil e miserבvel. Portanto, o progresso social sף o י possםvel com o progresso de cada um de nףs.” (Leon Denis)
Mas, o feto י apenas um apךndice da mדe!
Consultemos a Embriologia (13). Logo apףs a fusדo da membrana celular do espermatozףide com a do ovףcito acontece tambיm a fusדo dos seus dois pronתcleos. Nos pronתcleos estדo os cromossomos masculino e feminino. Em seguida aparece um novo e תnico nתcleo, o zigoto fertilizado. Este momento marca o ponto zero do desenvolvimento embrionבrio. A partir daם temos um novo potencial genיtico e o zigoto diferencia-se completamente do organismo da mדe.
ֹ muito baixa a percentagem de ףvulos fecundados que naturalmente sדo capazes de nidar no תtero materno e evoluir a embriדo. Desta forma, podem ocorrer concepחץes que nדo evoluem para o embriדo e que sדo mascaradas pelo ciclo menstrual.
Admite-se que o espםrito, com o seu “corpo espiritual”, modelo organizador da forma, perispםrito, serב atraםdo pela molיcula do בcido desoxirriboneclיico (DNA), por isso na clonagem se faz a cיlula regredir א forma blבstica (14). Do ponto de vista fםsico-quםmico, o DNA nדo difere de qualquer molיcula do organismo, mas no aspecto estrutural, diferencia-se por funcionar como uma lente atratora-redutora. A molיcula do DNA atrai as energias perispirituais e materializa-as, permitindo a transduחדo dessa matיria quintessenciada para a matיria biolףgica.
“Semeia-se corpo animal, ressuscitarב corpo espiritual. Se hב corpo animal, hב tambיm corpo espiritual.” (I Corםntios, 15: 44)
No caso do laboratףrio, para fazer um campo atrator para o espםrito reencarnar י preciso uma molיcula com a formaחדo lenticular como a do DNA, sob as condiחץes da fase embrionבria ou de totipotךncia. O conjunto dessas forחas leva א materializaחדo do corpo, ao nascimento. Hב uma malha eletromagnיtica extra-atפmica, ligada por uma espיcie de tתnel com a malha de forחas intra-atפmicas, representada pela forחa nuclear fraca, a qual, por sua vez, tem ligaחדo com a energia flutuante quגntica do vבcuo. Nesse vבcuo atפmico tem-se todo um campo de grבvitons que vai fazer com que haja a agregaחדo de matיria. Os genes tךm capacidade de concentrar ectoplasma e transformב-lo em fףtons, empacotando-os sob a forma de trifosfato de adenosina (ATP). Mas, nדo basta apenas a abertura dos genes da ontogךnese para haver reencarnaחדo. A estrutura genיtica י um agente predisponente, mas nדo determinante. Nesse caso, os fatores espirituais vדo ser determinantes. Pode-se dizer que o תtero י “uma cגmara de materializaחדo de espםritos”.
Impossםvel nדo lembrar as experiךncias de William Crookes, com a mיdium Florence Cook, que oferecia suporte ectoplamבtico para que esses fenפmenos energיticos ocorressem e possibilitassem a materializaחדo do espםrito Katie King. Vale a pena procurar e ler um outro caso (9) descrito pelo professor N.G. Barros.
“Nדo digo que isso seja possםvel; afirmo que isso י uma verdade.”(William Crookes)
No zigoto fertilizado para que haja agregaחדo da matיria י necessבria a atuaחדo de uma forחa gravitacional, tendo-se entדo uma atraחדo de massas para o corpo que vai sendo formado por cיlulas que vדo se aglomerando.
Neste processo temos um espםrito e tambיm um corpo formando um ser תnico, especםfico e peculiar. Isto י, nדo repetםvel e capaz de comandar, por si sף, todo o processo de diferenciaחדo atי a formaחדo integral do novo ser.
“Compreendei agora quanto י necessבrio que cada um de nףs se esclareחa e se aperfeiחoe, quanto י necessבrio que o julgamento de todos se fortifique, porque, eu vos pergunto, que farםamos dos direitos e das liberdades se nדo soubיssemos empregב-los com sabedoria, com discernimento.” ( Denis)
A curiosidade pode ser muita, mas nדo devemos apressar o futuro, quando aprenderemos, na outra dimensדo, a “chutar uma lata”ou fazer “flutuar uma moeda”. O suicםdio י uma falta grave!
“M.J.B.D. era um homem instruםdo, mas em extremo saturado de idיias materialistas, nדo acreditando em Deus nem na existךncia da alma. A pedido de um parente, foi evocado, na Sociedade Espםrita de Paris, dois anos depois de desencarnado”. (Kardec. A. 1865. “O Cיu e o Inferno”, 25 ediחדo, segunda parte, capםtulo V, pבg. 312. Suicidas, Um ateu. FEB)
“P. – Quando vos afogastes, que idיias tםnheis das conseq?ךncias? Que reflexץes fizestes nesse momento?”
“R. – Nenhuma, pois tudo era o nada para mim. Depois י que vi que teria de sofrer mais ainda.”
Segundo Kardec, para os duros de coraחדo que nasciam sem a intuiחדo da prova da existךncia de Deus e da vida futura, era muito difםcil esta aquisiחדo durante a vida corporal e a custa do prףprio raciocםnio.
Hoje, com os avanחos cientםficos e tecnolףgicos, a imortalidade e a vida futura regida por Leis Divinas, sדo mais fבceis de serem apreendidas. ֹ por isso que atי a Igreja Catףlica jב se rendeu א comunicabilidade dos Espםritos dos “mortos” e experimentos utilizando a tיcnica de transcomunicaחדo instrumental sדo realizados, com aval do Vaticano.
Na יpoca em que ocorreu o suicםdio acima nדo se dispunha de tanta facilidade. O comentבrio anterior explica, mas nדo justifica o ato cometido pelo homem instruםdo, que nדo acreditava nas provas da existךncia de uma Inteligךncia Suprema, nem na vida futura, que tinha, por assim dizer, incessantemente sob os olhos. Kardec esclarece que “muitas vezes, porיm, a presunחדo de nada admitir, acima de si, os empolga e absorve.” Assim, sofrem eles a pena atי que, domado o orgulho, se rendem א evidךncia.
“Bem aventurados os limpos de coraחדo, porque verדo a Deus” (Mateus, 5)
“P. – Que motivo poderia ter-vos levado ao suicםdio?”
“R. – O tיdio de uma vida sem esperanחa.”
Kardec leciona: “grandemente culpados sדo os que se esforחam por acreditar, com sofismas cientםficos e a pretexto de uma falsa razדo, nessa idיia desesperadora, fonte de tantos crimes e males. Esses serדo responsבveis nדo sף pelos prףprios erros, como igualmente por todos os males a que os mesmos derem causa.” ( Kardec, A. 1865. O Cיu e o Inferno. 25 ediחדo. FEB. Segunda parte, capםtulo V. Um Ateu. P. 312-314)
Felizes sדo os chegam א conversדo antes do desencarne!
Outro “leproso convertido” nos ofereceu seu testemunho em “Flores de Outono”.
As pבginas recebem o mesmo tםtulo “Falta”. (Monteiro, E.C. A Extraordinבria Vida de Jיsus Gonחalves. P. 78. Terceira ediחדo, nov. 1983. Editora Espםrita Correio Fraterno do ABC. S. B. Do Campo, SP; Xavier, F. C. & Gonחalves, J. Flores de Outono. Terceira ediחדo, 1984. LAKE, pבg. 63 e 71).
Em 1940, Jיsus era muito triste, sem esperanחa e escreve:
“Onde andarב um “nדo sei quך”, um bem, em cuja busca sou judeu errante? Por onde eu passo, jב passou tambיm… e quando chego jב partiu hב instante…
Nדo sei se estב na vida, ou mais adiante, dentro da morte, nas mansץes do alיm… Se estב no amor… se estב na fי, perante os dois altares que esta vida tem.
Mas, se esta vida י um sonho, a morte o nada; o amor um pesadelo; a fי receio; por que manter-se em luta desvairada?…
No entanto, eu sigo… acovardado, triste… A procurar em tudo em que nדo creio, a coisa que me falta e nדo existe! “
“O Espiritismo, longe de temer as descobertas da Ciךncia e o seu positivismo, lhe vai ao encontro e os provoca, por possuir a certeza de que o princםpio espiritual, que tem existךncia prףpria, em nada pode com elas sofrer.” (Kardec, A. 1868. A Gךnese. Cap. X.Gךnese Orgגnica. Pבg. 203, םtem 30, FEB)
Em 1943, Jיsus jב havia encontrado a Doutrina Espםrita e foi muito feliz!
“Hosana! Eu jב encontrei o grande Bem, em cuja busca fui judeu-errante.”
ֹ o facho luminoso que contיm a luz que me ilumina a todo instante!
E ele estב na vida e mais adiante, dentro da morte, nas mansץes do alיm…
Estב no amor… Estב na fי… Perante os dois altares que esta vida tem!
Pois, nem a vida י sonho e a morte o nada. O amor י luz; a Fי o santo meio de tornar esta luta compensada!
Por isso eu sigo… nos caminhos meus, a procurar em tudo quanto creio, a coisa que faltava e … que era Deus!”
O Espiritismo marcha ao lado do materialismo, no campo da matיria; admite tudo o que o segundo admite; mas, avanחa para alיm do ponto onde este תltimo pבra. O Espiritismo e o materialismo sדo como dois viajantes que caminham juntos, partindo de um mesmo ponto; chegados a certa distגncia, diz um: “Nדo posso ir mais longe.” O outro prossegue e descobre um novo mundo. Por que, entדo, hב de o primeiro dizer que o segundo י louco, somente porque, entrevendo novos horizontes, se decide a transpor os limites onde ao outro convיm deter-se? (Kardec, A. 1868. A Gךnese. Cap. X.Gךnese Orgגnica. Pבg. 203, םtem 30. FEB).
Respondendo a Allan Kardec, os espםritos disseram, em “O Livro dos Espםritos” (questדo 344), que a ligaחדo do espםrito א matיria, com que irב formar seu corpo fםsico, se dב desde a concepחדo. A ONU declara que a crianחa י um ser vivo desde a fecundaחדo, durante o perםodo uterino, apףs o nascimento, atי os sete anos de idade.
Embora nדo seja uma uniדo decisiva, o ser, mais evoluםdo e de posse de seu livre arbםtrio, muitas vezes pode recuar. O espםrito reencarnante jב estב ligado vibratoriamente ao zigoto, exercendo influךncias nas trocas genיticas e intimamente ligado ao psiquismo da mדe.
A ultra-sonografia, a amniocentese e a cirurgia fetal estדo iniciando representaחץes do feto e do embriדo como individualizados e separados do corpo grבvido materno de tal modo que, mesmo quando englobados por ele, esses seres jב sדo medicamente percebidos como “segundos pacientes”para monitoraחדo e eventualmente terapia (6).
O bebך nדo י um quisto no corpo da mדe, mas um ser que quer ter o primeiro de todos os direitos que י o direito א vida, como ensinaram os espםritos nas questץes 344 e 880. Assim, no aborto estדo em jogo duas vidas, duas liberdades, dois destinos diferentes. E a alma? Serב que foi criada no momento da concepחדo? Deus י dependente de um casal para criar?
“Se eu quiser falar com Deus tenho que dizer adeus, dar as costas, caminhar decidido pela estrada que ao findar vai dar em nada, nada, nada do que eu pensava em encontrar.” (Gilberto Gil)
E diante de anomalias fetais graves e incurבveis? Neste caso o aborto nדo seria vבlido?
Uma mulher tem o direito de levar a termo uma gestaחדo com uma crianחa seriamente afetada, quando isso representa uma carga financeira e social imensa para toda a sociedade?
Desde novembro de 1993, a equipe do Instituto de Medicina Fetal e Genיtica Humana de Sדo Paulo ( 11 ) vinha tratando a questדo da interrupחדo de gestaחץes, nas quais haviam sido diagnosticadas anomalias fetais graves e incurבveis, com uma estratיgia muito bem estabelecida. Solicitavam alvarבs judiciais para as interrupחץes com base no laudo dos exames realizados; relatףrios de trךs mיdicos e laudo psicolףgico do casal. Pensavam que amealhando sentenחas, envolvendo uma razoבvel quantidade de patologias, elaboradas por juizes de diferentes pontos do paםs chegariam na reformulaחדo do nosso cףdigo penal. Desta forma teriam aliado o judiciבrio א prףpria luta, o que era de importגncia fundamental. Afinal, os juizes podem iniciar sua justificativa afirmando que “o pedido de interrupחדo seletiva da gravidez deve ser deferido, consoante inתmeras decisץes proferidas em situaחץes idךnticas…”
“Apesar da tortura e da fogueira, apesar do patםbulo, apesar dos massacres, pedaחo por pedaחo, os direitos do pensamento e da consciךncia se revelam e se afirmam. Cada geraחדo traz seu tributo de dores, de trabalho, de esforחos e a heranחa comum aumenta sem cessar.”( Denis)
O leitor jב ouviu falar de “carma futuro coletivo” como heranחa?
A estratיgia era oriunda de uma sugestדo dada pelo juiz Miguיl Kfoury Neto, autor da primeira sentenחa formulada em Londrina, em 1992, autorizando a interrupחדo de uma gravidez complicada por anencefalia. Isto aconteceu vבrios anos depois da primeira discussדo no Congresso Brasileiro de Genיtica, julho de 1976, em Brasםlia. Nesse tempo evoluםmos da fase do diagnףstico prי-natal dos anos 80 para a medicina fetal dos anos 90. Hoje pode-se tratar algumas patologias fetais e nדo hב dתvidas de que se contam com sucessos indiscutםveis, como as transfusץes intra-uterinas, em casos de alo-imunizaחדo Rh.
“Assim como o passado prepara o presente, o presente, que somos nףs, deve preparar o futuro: eis aם a lei da imensa solidariedade que une todos os tempos e todas as raחas.” ( Denis)
Mas, o que fazer quando sדo malformaחץes mתltiplas ou aberraחץes cromossפmicas graves? Uma crianחa portadora de malformaחדo merece viver como qualquer ser humano? Se eliminarmos uma crianחa por causa de sua malformaחדo, poderemos tambיm eliminar os que nדo tךm a cor da pele ou sexo esperado?
Foram obtidas sentenחas autorizando interrupחץes de gravidez em fetos portadores de aberraחדo cromossפmica incompatםvel com vida extra-uterina prolongada e, em dois casos, constava dos laudos mיdicos que a mדe absolutamente nדo corria risco de vida. Aliבs, lembramos que justificar as interrupחץes de gestaחדo, mesmo em casos de anencefalia, com base no risco de vida materno י discutםvel do ponto de vista mיdico (11). Este comentבrio parece aplicar-se א nossa questדo inicial, vocך ainda lembra?
Voto eletrפnico consciente. ֹ mais difםcil votar assim!
Quando estamos pressionados pelas emoחץes cometemos grandes enganos. Ouvindo a notםcia, neste sבbado que י vיspera do dia dos pais, quase concordamos com a reivindicaחדo daquele professor. Ele teve a filha como uma das vםtimas do manםaco rotulado de “moto-boy”. Depois refletimos, a pena de morte nדo se apףia em nenhum direito e a experiךncia parece documentar que a sua prבtica nדo י capaz de deter a mente resolvida a praticar o mal. ֹ difםcil para a Psicologia explicar o comportamento desses indivםduos capazes de realizar atos tדo cruיis.
O argumento da possibilidade de erro jurםdico י suficiente para invalidar toda a retףrica dos que lutam א favor da pena de morte. As Entidades Venerandas disseram a Kardec que “hב outros meios da sociedade preservar-se de um membro perigoso, que nדo matando.” ֹ difםcil evoluir e deixar o “dente por dente, olho por olho”. Talvez se pudיssemos penetrar no sofrimento da consciךncia desperta e culpada, e verificבssemos os estבgios posteriores do arrependimento e do remorso, tivיssemos nosso ףdio diminuםdo. Mas, diante da emoחדo, א guisa de nos proteger da violךncia, acabamos de levantar a bandeira da prףpria violךncia. Recordamos o “dente por dente” e nos esquecemos de outro momento “nדo matarבs”.
Onde estarב o erro genיtico desses seres que sדo capazes de produzir os crimes hediondos?
Um mיdico e professor estudioso do “Complexo Cיrebro-Mente” nos diz que “parece muito claro que o cיrebro, por si sף, nדo י capaz de justificar toda capacidade da mente humana e o conhecimento cientםfico י muito limitado para alcanחar as razץes filosףficas da natureza humana e do seu destino”.
Diz ainda o Professor Titular de Neurocirurgia da Unicamp e diretor do Instituto do Cיrebro, que “bem antes do nascimento, as manifestaחץes de vivךncias agradבveis ou nדo da mדe jב imprimem na mente da crianחa, que vai nascer, reaחץes que logo apףs o parto podem ser semiologicamente confirmadas.”
Nos congressos de Neuropediatria jב estדo incluםdos em sua temבtica a apresentaחדo de trabalhos sobre o Psiquismo Fetal.
Diz o Nubor Orlando Facure que a confirmaחדo de um “Psiquismo Fetal”, intimamente ligado ao “Psiquismo Materno”, implica em mais um motivo para nossa meditaחדo quando falamos em aborto. (Folha Espםrita, julho de 1994, transcrita em Reformador, pבg. 338, novembro de 1994).
A pena de morte, o erro “genיtico” do manםaco do parque, nos faz , tambיm, lembrar a crianחa portadora de malformaחדo, que י “membro pleno da espיcie humana e que merece tambיm viver como qualquer ser humano.”
A pena de morte e o aborto de crianחas portadoras de malformaחץes se tratam de opחץes intelectuais e morais que nדo se podem justificar racionalmente atי o fim!
Serב que no futuro tambיm serדo eliminados os que nדo tenham o sexo esperado?
Para o nazismo o maior defeito genיtico era nדo nascer alemדo.
Trabalhamos recentemente a questדo do ensino, pesquisa e יtica na Microbiologia Mיdica (10). No texto que elaboramos para os alunos do Curso de Pףs-graduaחדo discutimos a posiחדo em que ficaria o docente-pesquisador, desta especialidade, na aula teףrica, ao terminar a estatםstica da Sםfilis congךnita. Diversas questץes que jב nos foram feitas foram lembradas: – “professor, o senhor acha que devemos distinguir os campos da יtica e da religiדo? Professor, a religiדo י sempre a expressדo das convicחץes da fי de um grupo humano restrito, mas a יtica י muito mais abrangente. O senhor nדo acha?”
Lembrei que na Universidade de Columbia hב o crיdito de Religiץes Comparadas. Aqui, no Brasil, nos ajudaria a entender e respeitar o universo cultural de um paםs catףlico e reencarnacionista.
Leףn Denis diz que “o homem tem necessidade de saber; precisa do esclarecimento, da esperanחa que consola, da certeza que guia e sustיm. Tambיm tem os meios de conhecer, a possibilidade de ver a verdade desprender-se das trevas e inundב-lo com sua luz benיfica. Para isso, deve afastar-se dos sistemas preconcebidos, perscrutar-se a si prףprio, escutar essa voz interior que fala a todos e que os sofismas nדo podem deturpar: a voz da razדo, a voz da consciךncia.”
“Se eu quiser falar com Deus tenho que ficar a sףs, tenho que apagar a luz, tenho que calar a voz, tenho que encontrar a paz tenho que folgar os nףs…” (Gil)
– “Professor, a יtica avalia o comportamento do ser humano enquanto ser humano, independente de qualquer convicחדo religiosa ou polםtica?”
Mestre! O estupro nדo י uma grande injustiחa por ser uma violaחדo fםsica e moral da dignidade da pessoa? E, pior, “a injתria agrava-se quando י seguida de gravidez imposta א forחa!”
Problemas יticos podem ser resolvidos pela estatםstica, como a questדo da adesividade de bactיrias אs cיlulas do hospedeiro? ( 10, 12 ) Ou, serב a יtica de ordem qualitativa?
A base da legislaחדo י a יtica?
O Estado י o centro legislador para todos os cidadדos?
O aborto situa-se no campo יtico, que י competךncia do Estado?
Um feto anencיfalo י apenas uma tentativa frustrada e deformada da natureza?
Uma realidade biolףgica irreparavelmente deformada nדo pode ser considerada pessoa em potencial?
Estas sדo questץes, formuladas por um professor de יtica na universidade, que merecem reflexץes (Pegoraro, O.A. “Anencefalia e aborto”. O Globo, sבbado, 13 de setembro de 1997).
Se uma pessoa-em-potencial (feto) ainda nדo י uma pessoa, podemos, desta forma, recomendar o aborto? Uma pessoa-sem-potencial (paciente terminal) nדo י mais uma pessoa, entדo podemos pensar em eutanבsia ?
E se os espםritas estiverem com a razדo? Eles advogam que sדo inתmeras as evidךncias cientםficas sugestivas de imortalidade e reencarnaחדo. Devemos estudב-las, no mםnimo, para nדo sermos considerados indigentes culturais (10).
A Organizaחדo Mundial de Saתde orienta que, para a instalaחדo de serviחos de saתde em qualquer paםs, deve-se respeitar os aspectos culturais do povo.
Que argumentos sדo utilizados para conceder validez moral ao ato da interrupחדo de uma gravidez complicada por ausךncia dos hemisfיrios cerebrais?
A resposta י curta porque o cerne argumentativo repousa na ausךncia de vida, associado א imagem de subumanidade. Os “sub” sדo aqueles para quem a vida י fadada ao “fracasso”, ou para quem, no mםnimo, o conceito de vida nדo י adequado.
Os anencיfalos nדo podem ser diferenciados dos animais, pois nדo possuem o ףrgדo-sede, que por seu desenvolvimento evolutivo, permitiria essa diferenciaחדo. Assim, admite-se estar no cיrebro a localizaחדo da humanidade. A gestante foi estigmatizada, por alguns, como um “caixדo ambulante”.
O vigבrio coadjutor da Comunicaחדo da Arquidiocese de Sדo Paulo, Fernando Altemeyer Junior, comenta no Jornal do Brasil, em 1 de abril de 1996, que a idיia de vida que nutre essa imagem nדo י apenas a que diz respeito א integridade biolףgica. Por trבs desta ideologia, que esconde a verdadeira intenחדo, existe uma expectativa de vida muito mais ampla e י exatamente isto o que une, de forma relativamente clara, um feto anencefבlico a um feto portador de trissomia do cromossoma 21 (Sםndrome de Down, Mongolismo).
O mesmo raciocםnio pode ser aplicado a fetos com ausךncias de membros distais que sדo alvos potenciais da “interrupחדo seletiva da gravidez”. No fundo, vamos encontrar uma idיia social de vida, respaldada י claro, pela plenitude biolףgica, o que justifica grande parte das solicitaחץes de aborto seletivo.
Os juizes assentam a legitimidade do procedimento na ausךncia de vida dos fetos justificando que “o objeto jurםdico do aborto consiste na preservaחדo da vida humana que, na hipףtese sob anבlise, nדo ficaria prejudicada pela interrupחדo da gravidez, ante o fato descrito…”. Parte-se de uma construחדo legal de positividade de vida (proםbe-se assim a eutanבsia) para uma negatividade de vida em nome da sub-humanidade extrema do feto. O argumento tem o seu oposto que י uma positividade-limite, onde qualquer forma de aborto deve ser proibida.
“Nדo basta se dizer…, י preciso que o sejamos pelos costumes e pelo carבter, י necessבrio que cada um de nףs trabalhe para se instruir, para se moralizar e para se tornar melhor.” ( Denis)
Os dilemas יticos parecem ser mais facilmente solucionados quando a medicina e a vida social apontam para a total impossibilidade de vida biolףgica e moral. Mas, nas zonas sombrias, nos casos-fronteira, como o de um feto portador de trissomia do cromossoma 21, este mesmo argumento “vida humana” toma outra conotaחדo. Aם os juizes concedem um domםnio da concepחדo moral de vida sobre os argumentos exclusivamente tיcnicos de sobrevivךncia ou de qualidade de vida. Chegamos ao suporte juridico-moral, א decisדo legal e ficamos diante, como disse Diniz (7), da moral medicalizada, a moral justificada por intermיdio do discurso biolףgico.
Segundo estimativas extra-oficiais, existem hoje no Brasil cerca de 350 alvarבs judiciais autorizando a prבtica da interrupחדo seletiva da gravidez em nome de anomalias fetais incompatםveis com a vida extra-uterina. A margem de erro de um exame fetal י de 1/1000.
Mesmo assim o problema יtico continua a desafiar os que nדo se cansam de pensar.
Recentemente, uma lei passou a considerar todos os brasileiros como doadores potenciais de ףrgדos para transplante. Determinar a morte da pessoa passou a ser a grande discussדo. Nesta fase do desenvolvimento da Fisiologia o conceito, antes associado ao coraחדo, deslocou-se para o cיrebro e a primeira definiחדo de morte encefבlica foi divulgada no final da dיcada de 60. A legislaחדo brasileira decidiu que o diagnףstico de morte encefבlica deveria ser definido pelo Conselho Federal de Medicina, o que resultou na Resoluחדo 11346/91. Estes critיrios, que mais tarde foram aperfeiחoados pela Resoluחדo 1480/97 do mesmo Conselho, estדo atualmente em vigor (4).
“Para discernir o porquך da vida, para conhecer sua razדo de ser, para entrever a lei suprema que rege as almas e os mundos י preciso saber libertar-se (…) das preocupaחץes de ordem material, de todas as coisas passageiras e volתveis (…) dificultando nossos julgamentos.” ( Denis)
Rocha (14) diz que hב condiחץes bem definidas em que se pode avaliar a ocorrךncia de morte cerebral, como por meio da angiografia, a cintilografia, a ecoencefalografia, a eletronistagmografia, disponםveis em todos os centros especializados, em que se pressupץe eliminada a possibilidade de quadros potencialmente reversםveis. Mesmo assim, י de se esperar o espaחo de tempo de 24 horas apףs a primeira verificaחדo de ףbito presumםvel para a verificaחדo da morte.
Cardoso (4) lembra que alיm de estabelecer critיrios clםnicos precisos para o diagnףstico, a Resoluחדo do CFM recomenda ainda, para pacientes acima de dois anos de idade, a realizaחדo de um exame complementar dentre os que analisam a atividade circulatףria cerebral ou sua atividade metabףlica. Para pacientes acima de uma semana de vida, atי dois anos de idade, sugere a realizaחדo de um eletroencefalograma, com intervalos variבveis de acordo com a idade.
Analisando os critיrios, o autor espםrita e mיdico (4) diz que tal recomendaחדo י oportuna e revela uma grande cautela, lembrando ainda que, na opiniדo da maioria dos neurologistas, o diagnףstico de morte cerebral nדo impede e nem dispensa a adoחדo de qualquer atitude terapךutica pertinente. Este diagnףstico significa apenas, para o momento dos nossos conhecimentos mיdicos, “a impossibilidade do retorno א vida.”
Cardoso, que acompanha os progressos da medicina, pensa adiante e diz que no futuro י possםvel que os critיrios de morte encefבlica possam ser modificados, pois a Ciךncia avanחa a cada dia. Informa-nos que jב hב atי quem defenda certas tיcnicas de hipotermia, que teriam a possibilidade de recuperar casos antes tachados de “irreversםveis”.
“Esta vida para ser eficaz, nדo pode ser isolada. Fora de seus limites, alיm do nascimento e da morte, vemos, numa espיcie de penumbra, desenrolar-se uma multidדo de existךncias atravיs das quais (…) conquistamos (…) o pouco de saber e de qualidades que possuםmos e pelos quais tambיm conquistaremos o que nos falta: uma razדo perfeita, uma ciךncia sem limites e um amor infinito por tudo quanto vive.” ( Denis)
Voltemos ao aborto!
Vocך lembra quantos alvarבs judiciais existem autorizando a prבtica da interrupחדo seletiva da gravidez?
Se respondeu 350, vocך possui boa memףria. Mas, vocך sabe me dizer se essas autorizaחץes foram para a utilizaחדo dos anencיfalos como doadores de ףrgדos?
Vamos recordar para melhor raciocinar. A anencefalia י uma anomalia congךnita caracterizada por ausךncia da calota craniana e couro cabeludo, podendo apresentar cיrebro residual amorfo, rudimentar e desorganizado na base do crגnio. Resulta de defeito no fechamento do tubo neural, que normalmente se completa antes do final do primeiro semestre. O perםodo da gךnese da anencefalia ocorre entre o dיcimo quinto e vigיsimo sexto dia do desenvolvimento embrionבrio. Hoje hב decrיscimo da incidךncia (anencיfalos/ano) e a causa principal י a interrupחדo da gestaחדo apףs o diagnףstico precoce da patologia.
Sabe-se que hב relaחדo direta entre fetos anencיfalos e abortamento espontגneo. Cerca de 65% morrem no perםodo intra-תtero. Dos que sobrevivem, cerca de 2/3 falecem nas primeiras trךs horas. Alguns registros mostraram que, de 180 anencיfalos vivos, 58% nדo sobreviveram apףs as primeiras 24 horas.
Poder-se-ia utilizar os ףrgדos de um anencיfalo em outra crianחa? A causa י nobre, vocך nדo acha? Pense na crianחa que nasceu com uma hipoplasia de ventrםcolo esquerdo e poderia viver com um novo coraחדo transplantado.
Mas vocך tambיm nדo acha, como lembrou Cardoso (4), que tal doaחדo precisa respeitar, em primeiro lugar, a experiךncia que estב findando, caso contrבrio nדo poderemos garantir que o ato ocorreu dentro de um sentido יtico?
Importante lembrar que “o remorso י um grande caחador.”
“A dor י a suprema purificaחדo, י a fornalha onde se fundem todas as escףrias impuras que corrompem a alma: o orgulho, o egoםsmo e a indiferenחa.” “ֹ inתtil procurar o inferno nas regiץes desconhecidas e distantes. O inferno estב em torno de nףs e se oculta nas dobras ignoradas da alma culpada, na qual sף a expiaחדo pode fazer cessar as dores.” (Denis)
O primeiro transplante de ףrgדos, nestas condiחץes, ocorreu em Los Angeles, em 1961. Os posteriores obtidos em 41 oportunidades ofereceram bons resultados “apenas” em 30% de transplantes renais e 33% de cardםacos (11).
Mas, quando realizar a retirada dos ףrgדos?
Hב casos de transplantes (coraחדo, como exemplo) em que o ףrgדo precisa ser retirado do doador quando ainda em vitalidade.
Nos fetos, quando se aguardou a perda de todas as funחץes do tronco cerebral, que י o critיrio adotado de morte cerebral pela medicina, realizando-se posteriormente as medidas para manter a viabilidade dos ףrgדos, nenhum transplante obteve bons resultados.
Antes que as funחץes do tronco cerebral fossem perdidas poder-se-ia instituir o suporte vital de modo a permitir a retirada dos ףrgדos, quando a esperada morte acontecesse. Esta opחדo mostrou-se impraticבvel. Apenas um, em seis, evoluiu com morte cerebral no perםodo considerado adequado no protocolo.
A תnica alternativa que se mostrou viבvel foi a instalaחדo, ao nascimento, de suporte vital, com retirada dos ףrgדos ainda em presenחa de funחץes do tronco cerebral. Nesta situaחדo a יtica e a moral sדo mais controversas. As principais propedךuticas utilizadas para documentar a morte cerebral nדo sדo aplicבveis, pois nדo hב pontos para fixaחדo dos eletrodos do eletroencefalograma e a carףtida inexiste ou י muito hipoplבsica.
Em termos de Doutrina Espםrita (O Livro dos Espםritos, 155-56) sabemos que, rompidos os laחos que retinham o espםrito, ele se desprende, mas nדo dispomos de exames para precisar o momento em que isto aconteceu. O que podemos dizer י que o cיrebro estב impossibilitado de satisfazer as eventuais expressץes do espםrito. Por outro lado, algumas vezes, destaque de Cardoso(4), na agonia a alma jב pode ter deixado o corpo, havendo apenas vida orgגnica.
“Onde estב, ף morte, o teu aguilhדo? Onde estב, ף inferno, a tua vitףria?” ( I Corםntios, 15: 55)
Rocha (15) pergunta: que י vida, que י morte? A prףpria ciךncia nדo י capaz de defini-las com precisדo. Cresce o interesse no que diz respeito ao conceito mais exato de morte cerebral, a partir da distinחדo que se faחa do que sejam vida intelectiva (ou vida inteligente) e vida orgגnica. ֹ que esta תltima prossegue muitas vezes por algum tempo, graחas א presenחa do princםpio vital, que de pronto nדo se extingue tדo logo cesse a primeira. Em outras palavras, tanto o corpo pode ainda funcionar, tendo a desencarnaחדo jב se efetivado, quanto pode ocorrer a morte cerebral e o espםrito nדo ter ainda efetivado sua liberaחדo total da carne (4)
O mיdico espםrita e a ONU sabem que a ligaחדo do espםrito א matיria se dב desde o momento da concepחדo e י feita atravיs do perispםrito, corpo espiritual fluםdico. Sabe que o corpo, deficiente ou nדo, י sempre valioso instrumento para a evoluחדo do espםrito e que aquele que induz ou obriga ao aborto, ou o executa, י responsבvel espiritualmente. Sabe ainda que o estuprador apenas contribuiu para a formaחדo de seu corpo fםsico, sendo a crianחa inocente da aחדo agressora, nדo devendo ser responsabilizada por ela, nem vir a sofrer danos em conseq?ךncia dela, muito menos perder seu direito a vida, qualquer que seja o tempo que ela dure.
Sob o ponto de vista espiritual, o mיdico espםrita sabe, tambיm, que um espםrito, que sofreu abortamento ou eutanבsia, pode ficar imantado א gestante em clima de mבgoa. A gestante pode apresentar lesץes perispirituais na regiדo do centro reprodutor que foi usado incorretamente.
O leitor poderב ter uma idיia destas questץes examinando “um caso clםnico”, embora nדo de aborto. Sדo inתmeros os descritos na literatura mיdico-espםrita, fizemos a opחדo por um deles, porque os protagonistas sדo companheiros que trabalham em pesquisa nos chamados Centros de Ciךncias Biomיdicas.
“Acerca dos dons espirituais, nדo quero, irmדos, que sejais ignorantes.” ( Corintios I, 12 . Paulo)
O Professor da Faculdade de Medicina, Gilberto Perez Cardoso (5) , relata uma cefalיia muito estranha que lhe ocorreu, embora nדo seja dado a enxaquecas. Examinando desde uma inadequaחדo das lentes de seus ףculos, passando pela possibilidade de um tumor cerebral ou meningite, atי chegar ao “piti”, diminutivo de “pitiatismo”, o mיdico resolveu consultar seus colegas, na יpoca, mais experimentados da Santa Casa, no Rio de Janeiro. Ampliou as doses dos analgיsicos, diminuiu os intervalos de tomada dos medicamentos, que na dיcada de 80 nדo deveriam ser falsificados. Entretanto, envolvido pelo trabalho e pelos alunos, acabou adiando a intenחדo. No dia seguinte, Gilberto tambיm iria participar de uma reuniדo espםrita, onde sדo atendidas entidades que estדo passando por sofrimentos diversos (lembram do Marcondes, no C. E. Filhos de Deus?).
“A interdiחדo de evocar os mortos, que vemos estabelecida por Moisיs, foi geral na antiguidade. O poder teocrבtico e o poder civil estavam muito intimamente ligados para que esta prescriחדo fosse severamente observada. Nדo convinha que as almas dos mortos viessem contradizer o ensinamento oficial dos padres e lanחar a perturbaחדo entre os homens, fazendo-os conhecer a verdade.” (Gabriel Dellane. “O Fenפmeno Espםrita”, FEB).
Na reuniדo manifesta-se uma entidade sofredora que transformou o relato dos mיdiuns videntes num grande quebra-cabeחa, somente solucionado por Cardoso. O mיdico possuםa conhecimentos nדo disponםveis aos outros e que o ligavam ao espםrito enfermo e tambיm א sua “cefalיia muito estranha”. O caso י narrado com detalhes no livro (5) que escreveu em parceria com outro escritor e mיdium notבvel, Newton Boechat.
“Mas a manifestaחדo do espםrito י dada a cada um, para o que for תtil. Porque a um pelo espםrito י dada a palavra da sabedoria; e a outro a palavra da ciךncia,” (Paulo)
Este caso י interessante por vבrios motivos: primeiro por ter ocorrido com um paciente-mיdico e por ser um dos mיdiuns videntes um outro professor de medicina; segundo, porque uma cefalיia que maltratava o paciente por 36 horas י substituםda por sentimentos de paz e bem estar logo ao inםcio da reuniדo; terceiro, porque a cefalיia se apresentou apףs um atendimento realizado pelo mיdico na emergךncia do Hospital Rocha Maia, em Botafogo, no Rio de Janeiro; quarto, porque o paciente apresentava na cabeחa, na regiדo temporal direita, extenso ferimento, de onde saiam sangue em abundגncia, massa encefבlica e fragmentos ףsseos; quinto, porque a entidade sofredora relatava o recente falecimento de seu pai e םdolo, em condiחץes desastrosas, o que o levara a disparar o fuzil, א queima-roupa, de encontro א cabeחa, atingindo exatamente a regiדo temporal direita; sexto, porque os mיdiuns de nada sabiam, embora descrevessem a extremidade do tubo endotraqueal a sair-lhe do canto da boca.
O caso י muito rico e certamente o leitor vai enumerar outras coincidךncias entre o atendimento mיdico e o posterior atendimento espiritual. Como coincidentes sדo os relatos das pessoas que tiveram morte clםnica, embora suas declaraחץes nדo se vinculem a influךncias da religiץes, seitas, ocupaחדo, raחa ou sexo.
O desavisado vai dizer que a dor de cabeחa do mיdico foi apenas uma questדo de influךncia por se ver envolvido num atendimento de emergךncia em que os hemisfיrios cerebrais foram dilacerados. O “acaso” tem sido muito solicitado para explicar a nossa ignorגncia. O prףprio mיdico nדo se esqueceu de evocar esta questדo, para o seu leitor, uma vez que sugeriu que se fizesse o cבlculo das probabilidades da ocorrךncia de cada um dos eventos encontrados.
“E a outro, pelo mesmo espםrito, a fי; e a outro os dons de curar; e a outro a profecia e a outro, o dom de discernir os espםritos.” (Paulo)
Na dיcada de 70 com contribuiחדo da eletrפnica foi feito o mapeamento dos meridianos da Acupuntura. O mesmo mapeamento feito hב mais de quatro mil anos pelos mיdiuns videntes era absolutamente idךntico. Lembrou de Nostradamus?
Cardoso pede que meditemos na infinidade de dores-de-cabeחa, cansaחos, depressץes, astenias e achaques que podem se originar do Alיm. A extensa gama da patologia energיtica humana, desconhecida ainda da Ciךncia Oficial, estב aם desafiando a argתcia de clםnicos e psiquiatras atuais. Atי que a informaחדo possa chegar, por enquanto, muitos ainda vדo esperar e continuar a classificar, no laboratףrio, o bacilo diftיrico como difterףide (12) e outros, na precipitaחדo, vדo diagnosticar como “piti” as patologias “do outro mundo”, como disse Cardoso (5).
“Tambיm Cristףvדo Colombo nדo foi tachado de louco, porque acreditava na existךncia de um mundo, para lב do oceano? Quantos a Histףria nדo conta desses loucos sublimes, que hדo feito que a Humanidade avanחasse e aos quais se tecem coroas, depois de se lhes haver atirado lama? Pois bem! o Espiritismo, a loucura do sיculo dezenove, segundo os que se obstinam em permanecer na margem terrena, nos patenteia todo um mundo, mundo bem mais importante para o homem, do que a Amיrica, porquanto nem todos os homens vדo א Amיrica, ao passo que todos, sem exceחדo de nenhum, vדo ao dos Espםritos, fazendo incessantes travessias de um para o outro.
Galgado o ponto em que nos achamos com relaחדo א Gךnese, o materialismo se detיm, enquanto o Espiritismo prossegue em suas pesquisas no domםnio da Gךnese espiritual.” ( Kardec, A. 1868. A Gךnese. Cap. X.Gךnese Orgגnica. Pבg. 203, item 30. FEB).
Deve ser doloroso, para o espםrito, ser retirado do corpo nas condiחץes narradas anteriormente por Cardoso (5)! Mas, nדo deve ser diferente verificar que vai ser expulso atravיs de meios, mיtodos ou processos abortivos.
As nossas jovens estדo usando um abortivo quםmico que se nדo mata o feto o deforma. E hב coisa pior, porque se pessoas falsificam os medicamentos anticancerosos, elas sדo capazes de fazer o mesmo com qualquer outro. Jב se tem conhecimento da venda de um abortivo quםmico similar falso que esta rodeado de perigos incomensurבveis para a usuבria.
“Vocך nדo estב sozinha! Procuraremos juntos, a saםda que vocך precisa.” Ligue para nףs: (21) 452-2266. CELD.
Valorizando o momento mais sublime da vida, podemos entrar em contacto com o Nתcleo de Valorizaחדo da Gravidez do CELD, Centro Espםrita Leףn Denis. O Nתcleo oferece apoio emocional com objetivo de ouvir com muito carinho, sem crםtica ou condenaחדo, qualquer pessoa envolvida com a gravidez que esteja se sentindo pressionada e sף.
Ligue, todos os dias das 13 אs 21 horas, ou vב conversar pessoalmente no mesmo horבrio, de segunda a sבbado, na rua Abםlio dos Santos, 137 – Bento Ribeiro – Rio de Janeiro, RJ.
Nדo, Doutor! Matar? Nunca!
– Doutor, parece que estou com barriga d’בgua…
O mיdico olhou silenciosamente a pobre cliente e respondeu meio sיrio e meio sorridente:
– Dona Ana…
– Doutor, se nדo for barriga d’בgua, entדo י menino. Chico jב disse hoje que י menino.
– Na sua idade, Dona Ana, como י que a senhora e “seu” Chico deixaram isso acontecer? Jב tiveram uma filha com hidrocefalia, tךm onze filhos, enfrentam uma trabalheira sem fim. E, com essa recessדo enorme, nesse nosso paםs desses anos trinta, a pobreza fica ainda maior.. Jב disse uma vez que filho de mדe velha nasce destrambelhado…
– Nדo, Doutor! Matar? Nunca! Chico estב viajando aqui e ali. Nada vai faltar pra gente, se Deus quiser!
– Quem falou em matar, Dona Ana? Vב em paz esperar a sua hidropsia…
– Hidro o quך, Doutor?
– ֹ barriga d’בgua, Dona Ana. A senhora ficarב livre dela em nove meses.
Nove meses depois nascia, אs cinco horas da manhד, do dia 5 de maio, um menino que recebeu o nome de Divaldo Pereira Franco. ( Espelho, R.R. A Revelaחדo Da Chave. E. E. Mensagem de Esperanחa, Capivari, SP. Pבg. 80.)
Como fica um “espםrito abortado” ao se ver impedido de “vir א vida na matיria” nestas condiחץes?
Andrי Luiz narra um caso para que possamos compreender a extensדo da tragיdia. Era uma jovem “criada com mimos excessivos, que se desenvolveu na ignorגncia do trabalho e da responsabilidade, nדo obstante pertencer a nobilםssimo quadro social. Adquiriu os deveres da maternidade sem a custףdia do casamento. Reconhecendo-se nesta situaחדo, aos vinte e cinco anos, solteira, rica e prestigiada pelo nome da famםlia, deplora tardiamente os compromissos assumidos e luta, com desespero, por desfazer-se do filhinho…
A jovem valeu-se de drogas e do auxםlio de uma “enfermeira”.
O espםrito, vendo a reencarnaחדo frustrada, luta e se transforma em verdugo do psiquismo materno.
Andrי Luiz descreve a “guerra”: “premindo o ninho de vasos do תtero, precisamente na regiדo onde se efetua a permuta dos sangues materno e fetal, provocou ele o processo hemorrבgico, violento e abundante.”
A enfermeira desesperada corre a procura de socorro. (Francisco C. Xavier. No Mundo Maior. Capםtulo 10 – A dolorosa perda. FEB.)
“Nדo serב melhor a coroa de espinhos na fronte do que o monte de brasas na consciךncia?”
A medicina oficial nדo tem colocado א mostra as seq?elas fםsicas e psםquicas trazidas א mדe que pratica o aborto, mesmo nas sociedades em que ele י permitido, י o que diz o “Manifesto Contra O Aborto”, que foi enviado em 14/3/1994, ao Relator da Revisדo Constitucional no Congresso Nacional. Ele י assinado pela Federaחדo Espםrita, Uniדo das Sociedades Espםritas e Associaחדo Mיdico-Espםrita todas de Sדo Paulo.
A Doutrina Espםrita ensina que a matיria י o instrumento de que o espםrito se serve e sobre o qual exerce sua aחדo. O espםrito encarna para cumprir desםgnios divinos e, ao mesmo tempo, vai se desenvolvendo intelectual e moralmente, atravיs de provas e expiaחץes que a vida terrena lhe enseja. Viver י o primeiro de todos os direitos naturais do homem. “As Vozes do Cיu” ensinaram, a Allan Kardec e ele registrou em “O Livro dos Espםritos”, que “ninguיm tem o direito de atentar contra a vida do seu semelhante, nem de fazer o que lhe quer que possa comprometer a existךncia.
Kardec “Obrigou os mais famosos cientistas do sיculo dezenove a colocar de lado suas preocupaחץes com a matיria para descobrir e provar a existךncia do espםrito, como aconteceu com Crookes, Richet, Aksakof, Ochorowicz, Zollner, e tantos outros. Em nosso sיculo forחou Rhine e McDougal a desenvolver na parapsicologia as suas pesquisas… (Urbano de Assis Xavier, 1946).
Matar o feto com diagnףstico de anomalia י um delito contra o direito א vida e contra o caminho redencional do espםrito.
“Se eu quiser falar com Deus tenho que me aventurar, tenho que subir aos cיus sem cordas pra segurar…” (Gil)
O transplante sף oferece bons resultados com a retirada dos ףrgדos ainda em presenחa de funחץes do tronco cerebral (11). Considerando a יtica e a moral, o que fazer?
Aqui temos trךs alternativas: a) alterar a definiחדo de ףbito, b) criar uma categoria legal especial para anencיfalos ou c) exclusדo dos anencיfalos do conceito de pessoa (ser humano).
Qual lhe parece mais perto da יtica “espםrita “?
Jב pensou?
Podemos continuar?
A responsabilidade pelas qualidades humanas de consciךncia, personalidade e integraחדo social nדo podem ser colocadas no tronco, uma vez que ele sף controla as funחץes vegetativas. Assim poderםamos enquadrב-los em uma categoria legal equivalente א morte cerebral. Como hב ausךncia da formaחדo do cיrebro superior e nדo havendo sofrimento, dor ou consciךncia, poderםamos excluir os anencיfalos do conceito de pessoa.
Que tal os raciocםnios? Sדo coerentes? Alguma dתvida? Sim! Entדo releia com calma.
A criaחדo de uma categoria legal de exceחדo traz consigo o risco de que esse procedimento abra precedente para o surgimento de outras categorias de exceחדo. Poder-se-ia desvirtuar a idיia original e abranger tambיm grupos para os quais essa medida seria eticamente menos aceitבvel. Nדo sendo considerados como pessoa esses anencיfalos perderiam todos os direitos, inclusive o de ser protegido contra a experimentaחדo em seres humanos e poderiam eventualmente ser utilizados para outros propףsitos, escusos ou nדo.
Jב fizeram a denתncia de que num paםs desenvolvido, onde foi liberado o aborto, os fetos foram vendidos para experiךncias. As crianחas nדo registradas como nascidas e que estavam oficialmente mortas eram mantidas vivas. A denתncia falou em testes de curas de doenחas como leucemia, etc.
ֹ claro que vocך nדo acredita que possam existir pessoas tדo inteligentes e cruיis!
Parece que a soluחדo י a alteraחדo do conceito de morte.
Vocך vך algum problema nesta alteraחדo?
Contra ela pesam dois argumentos principais: י possםvel que, com a mudanחa na definiחדo de morte cerebral, haja desconfianחa da populaחדo na capacidade mיdica de diagnosticar os casos de ףbito e a imprecisדo do critיrio poderia ser estendida a outros grupos de pacientes, como, por exemplo, os portadores de severo retardo mental ou comatosos.
O mיdico, no Brasil, nדo teve muito que se preocupar com esse tipo de problema, uma vez que nדo temos conhecimento de serviחos de transplantes envolvidos nesta tentativa. Mas, este י um tema para discussץes espםritas, pois י rico de questץes mיdicas, morais, legais e sobretudo religiosas.
O Brasil י um paםs “paradoxal”, apresenta os avanחos encontrados no primeiro mundo, mas convive com doenחas do terceiro. Chegamos a ter a maior casuםstica do mundo em implantes de marcapasso cardםaco em doenחa infecciosa ( 12 ), da era colonial americana, que י prevenida por vacinaחדo. Hב problemas ou avanחos encontrados nos paםses desenvolvidos que nos trazem questץes de יtica mיdica ( 3, 4, 7, 8, 10, 11, 14, 15,16).
Anteriormente quando discutimos a questדo da eutanבsia, em “Dores, Valores, Tabus e Preconceitos”, concluםmos que era difםcil conciliar uma medicina que cura com uma medicina que mata.
“a melhor maneira de se medir a licitude de uma aחדo י imaginב-la como regra geral. Caso se concluםsse pela negativa, a ilicitude seria manifesta.” (Kant)
“Para que a liberdade seja fecunda, assevera Leףn Denis, para que ofereחa אs boas obras humanas uma base segura e duradoura, deve ser aureolada pela luz, pela sabedoria, pela verdade. A liberdade, para homens ignorantes e viciosos, nדo serב como arma poderosa entre as mדos de uma crianחa? A arma, nesse caso, volta-se muitas vezes contra aquele que a traz, e o fere.” Lembramos que o Ministיrio da Saתde adverte: “fumar faz mal א saתde.” A farmacodependךncia י um grande problema para a Amיrica Latina e o בlcool י uma droga socialmente aceita, como o fumo.
Imagine o aborto legalizado e nas mדos de todos os interesses: polםtico, eugךnico, econפmico e outros.
Aborto nדo pode ser votado sem uma profunda reflexדo.
Justificando-se o aborto eugךnico, a eutanבsia passa a ser aceita naturalmente. Eugenia י o ramo da Ciךncia que se ocupa da procriaחדo de filhos normais e estuda os meios para melhorar a raחa. O aborto eugךnico י aquele que nדo necessariamente implique impossibilidade de vida extra-uterina, significando apenas uma reduחדo significativa do patamar da capacidade de adquirir e compartilhar humanidade. Entendeu porque a eutanבsia passa a ser aceita naturalmente?
A Bioיtica estב hoje pressionada por um conceito materialista a respeito do significado da vida.
Uma conseq?ךncia grave da permissדo do aborto por lei י a insensibilidade social.
O aborto eugךnico, com enfoque sociolףgico, vem sendo aceito em diversos paםses com a justificativa do aprimoramento da raחa, diminuiחדo da problemבtica familiar e social. Fala-se nesse aborto dando-lhe conotaחדo de “terapךutico”. Em favor de quem? Alguיm jב disse que “na crianחa honramos a humanidade e sobretudo a crianחa deficiente fםsica ou mental י caso-teste de respeito para com todo o gךnero humano”.
Neste particular hב uma Instituiחדo, no Rio de Janeiro, que honra a humanidade. Estamos falando da Aחדo Cristד Vicente Moretti, na rua Maravilha, 308. Bangu. Telefone 401-9533 e fax 401-9643. Vב visitב-la para ver o que significa o respeito pelo ser humano deficiente.
No dia 13 de maio foi lanחado o Programa Nacional dos Direitos Humanos, que estabelece desafios concretos ao governo na בrea da expansדo dos direitos da cidadania. Diz Souza, J. (JB, p.11, 29 de maio de 1996) que o fato da escolha da data do lanחamento ter caםdo sobre o dia da Aboliחדo da escravatura nדo lhe pareceu casual. A manutenחדo da situaחדo enfrentada no paםs, de divisדo entre supercidadדos com todos os direitos e subcidadדos sem nenhum direito, י fruto direto de persistךncias da “obra da escravidדo”, e nos serve para lembrar que a luta pelos direitos humanos י obra comum. A injustiחa nדo atinge apenas quem a sofre diretamente, mas a todos que compartilham do mesmo contexto.
“Helga e Rachel cresceram juntas (2). Eram muito amigas, embora a famםlia de Helga fosse cristד e a de Rachel, judia. Por muitos anos essa diferenחa nדo teve muita relevגncia na Alemanha. Entretanto, depois que Hitler assumiu o poder a situaחדo mudou. Ele exigiu que os judeus usassem braחadeiras com a estrela-de-Davi e passou a encorajar seus seguidores a destruirem as propriedades dos judeus e, atי mesmo, a maltratב-los nas ruas. Finalmente, comeחou a prender judeus e a deportב-los. Havia rumores pela cidade de que muitos judeus estavam sendo mortos. Esconder judeus procurados pela Gestapo ( polםcia secreta de Hitler) era um crime grave e constituםa violaחדo de uma lei do governo alemדo. Uma noite, Helga ouviu baterem א porta. Quando a abriu, viu Rachel na escada, envolta num casaco escuro. Rapidamente Rachel entrou. Ela contou que fora a uma reuniדo, e, ao retornar, viu membros da Gestapo rondando a casa. Seus pais e seus irmדos haviam sido levados. Sabendo do seu destino caso a Gestapo a apanhasse, Rachel correu para casa de sua grande amiga.
Que deveria Helga fazer? Se mandasse Rachel embora, a Gestapo por certo a encontraria. Helga sabia que a maioria dos judeus estava sendo morta, e nדo queria que isso acontecesse com sua melhor amiga. Porיm, abrigar os judeus era contra a lei. Helga estaria arriscando sua prףpria seguranחa e a de sua famםlia se tentasse esconder Rachel. Mas, havia em casa de Helga um pequeno quarto atrבs da chaminי, no terceiro andar, onde Rachel poderia ficar a salvo.
Deveria Helga esconder Rachel?”
“O homem constrףi a primeira cidade (civitas), de onde nasceu a palavra civilizaחדo e, desde entדo, com a vida em sociedade, comeחa a vida moral.” (Denis)
Quando desenvolvemos o intelecto somos capazes de saber se uma aחדo י boa ou mב, mas a escolha do caminho a tomar depende do desenvolvimento do domםnio afetivo. “Ciךncia e razדo somente nדo serדo capazes de enxugar lבgrimas vertidas pelo coraחדo”. As duas asas simbףlicas da יtica sדo representadas pela sabedoria e pelo amor. Sem uma delas sociedade alguma poderב voar a planos mais altos e ser considerada evoluםda e nenhum planeta poderב chegar א condiחדo de regenerado.
A professora Dyla T.S. Brito, doutora em Educaחדo pela Universidade da Califףrnia (UCLA), cita Kohlberg para descrever os seis estבgios do desenvolvimento moral. Estes estבgios, abaixo colocados, que podem corresponder a trךs nםveis podem ser brevemente assim descritos:
Estבgio1. As conseq?ךncias fםsicas de uma aחדo determinam se ela י boa ou mב. Os motivos morais sדo baseados no desejo de evitar puniחדo.
Estבgio 2. O argumento “certo” י aquele que satisfaz as prףprias necessidades da pessoa e, אs vezes, as necessidades de outros. Elementos de igualdade e reciprocidade podem estar presentes, mas sempre por motivos pragmבticos e nדo por uma questדo de lealdade, gratidדo ou justiחa. Reciprocidade, neste nםvel, significa: “Se ele me bate, eu bato nele.”
Estבgio 3. As pessoas demonstram necessidade de evitar a reprovaחדo e o desagrado dos outros. Freq?entemente, elas se atךm a idיias estereotipadas sobre o comportamento da maioria em seu grupo e tendem a se comportar como uma pessoa “bem educada”. Segundo Kohlberg, י neste estבgio que a intenחדo torna-se importante pela primeira vez.
Estבgio 4. A pessoa mostra respeito pela autoridade, pelas regras fixas e pela manutenחדo da ordem social.
Estבgio 5. Demonstra respeito pelos direitos individuais. A obrigaחדo י baseada no livre acordo. Hב valorizaחדo do ponto de vista legal, mas acredita-se que a lei pode ser mudada em funחדo de consideraחץes sobre sua utilidade social.
Estבgio 6. As decisץes da pessoa sדo guiadas por princםpios יticos selecionados por ela prףpria, como justiחa, reciprocidade, igualdade e respeito pela dignidade do ser humano (2 ).
“ֻ na revelaחדo das Leis Morais que reside a verdadeira grandeza do Espiritismo. Os fenפmenos espםritas sדo um prףlogo da lei moral. Embora muito imperfeitamente, comparemo-los א casca revestindo o fruto: inseparבveis em sua gestaחדo, tךm, entretanto, um valor muito diferente.” (Leףn Denis. “Depois da Morte”, nona ediחדo, pבg.304. FEB).
Em 1857, Allan Kardec publicou “O Livro dos Espםritos”. Ele apresentada didaticamente, mais de mil questץes propostas pelo codificador e respondidas pelas “Vozes dos Cיus”. Vamos examinar alguns trechos de algumas respostas oferecidas, entre os nתmeros 778 e 802. Sugiro ao leitor marcar os pontos que concordam ou discordam, do que foi descrito nos estבgios acima.
Pode o homem retrogradar para o estado de natureza?
“Nדo, o homem tem que progredir incessantemente e nדo pode volver ao estado de infגncia. Mas, nem todos progridem simultaneamente e do mesmo modo. Dב-se entדo que os mais adiantados auxiliam o progresso dos outros, por meio do contacto social.”
O progresso moral acompanha sempre o progresso intelectual?
“Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente. O progresso intelectual engendra o moral, fazendo compreensםveis o bem e o mal. O homem, desde entדo, pode escolher. O desenvolvimento do livre arbםtrio acompanha o da inteligךncia e aumenta a responsabilidade dos atos.”
Como י, nesse caso, que, muitas vezes, sucede serem os povos mais instruםdos os mais pervertidos tambיm?
“O progresso completo constitui o objetivo. Os povos, porיm, como os indivםduos, sף passo a passo o atingem. Enquanto nדo se lhes haja desenvolvido o senso moral, pode mesmo acontecer que se sirvam da inteligךncia para a prבtica do mal. O moral e a inteligךncia sדo duas forחas que sף com o tempo chegam a equilibrar-se.”
Tem o homem o poder de paralisar a marcha do progresso?
“Nדo, mas tem, אs vezes, o de embaraחב-la.”
Bastante grande י a perversidade do homem. Nדo parece que, pelo menos do ponto de vista moral, ele, em vez de avanחar, caminha aos recuos?
“Observa bem o conjunto e verבs que o homem se adianta, pois que melhor compreende o que י mal, e vai dia a dia reprimindo os abusos.”
Qual o maior obstבculo ao progresso?
“O orgulho e o egoםsmo. Refiro-me ao progresso moral, porquanto o intelectual se efetua sempre. A primeira vista, parece mesmo que o progresso intelectual reduplica a atividade daqueles vםcios, desenvolvendo a ambiחדo e o gosto das riquezas, que, a seu turno, incitam o homem a empreender pesquisas que lhe esclarecem o Espםrito.”
“Bem aventurados os humildes de espםrito, porque deles י o reino dos cיus.” (Mateus, 5)
“Hב duas espיcies de progresso, o intelectual e o moral. Entre os povos civilizados, o primeiro tem recebido todos os incentivos. Muito falta para que o segundo se ache no mesmo nםvel. Entretanto, comparando-se os costumes sociais de hoje com os de alguns sיculos atrבs, sף um cego negaria o progresso realizado. Ora, sendo assim, por que haveria essa marcha ascendente de parar, com relaחדo, de preferךncia, ao moral, do que com relaחדo ao intelectual?”
“O homem, fisicamente, materialmente, י como uma planta que se desenvolve naturalmente, em virtude das leis universais, porיm, intelectualmente e moralmente ele se cria por si mesmo.” (Denis)
O progresso farב que todos os povos da Terra se achem um dia reunidos, formando uma sף naחדo?
“Uma naחדo תnica, nדo; seria impossםvel, visto que da diversidade dos climas se originam costumes e necessidades diferentes, que constituem as nacionalidades, tornando indispensבveis sempre leis apropriadas a esses costumes e necessidades. A caridade, porיm, desconhece latitudes e nדo distingue a cor dos homens. Quando, por toda parte, a lei de Deus servir de base א lei humana, os povos praticarדo entre si a caridade, como os indivםduos. Entדo, viverדo felizes e em paz, porque nenhum cuidarב de causar dano ao seu vizinho, nem de viver a expensas dele.” A Humanidade progride, por meio dos indivםduos que pouco a pouco se melhoram e instruem. Quando estes preponderam pelo nתmero, tomam a dianteira e arrastam os outros. De tempos a tempos, surgem no seio dela homens de gךnio que lhe dדo um impulso; vךm depois, como instrumentos de Deus, os que tךm autoridade e, nalguns anos, fazem-na adiantar-se de muitos sיculos.
O progresso dos povos tambיm realחa a justiחa da reencarnaחדo. Louvבveis esforחos empregam os homens de bem para conseguir que uma naחדo se adiante, moral e intelectualmente.
“Bem aventurados os mansos, porque herdarדo a Terra.” (Mateus, 5)
Por que indםcios se pode reconhecer uma civilizaחדo completa?
“Reconhecך-la-eis pelo desenvolvimento moral. Atי entדo, sereis apenas povos esclarecidos, que hדo percorrido a primeira fase da civilizaחדo.
De duas naחץes que tenham chegado ao בpice da escala social, somente pode considerar-se a mais civilizada, na legםtima acepחדo do termo, aquela onde exista menos egoםsmo, menos cobiחa e menos orgulho; onde os hבbitos sejam mais intelectuais e morais do que materiais; onde a inteligךncia se puder desenvolver com maior liberdade; onde haja mais bondade, boa-fי, benevolךncia e generosidade recםprocas; onde menos enraizados se mostrem os preconceitos de casta e de nascimento, onde as leis nenhum privilיgio consagrem ; onde com menos parcialidade se exerחa a justiחa; onde a vida do homem, suas crenחas e opiniץes sejam melhormente respeitadas; onde exista menor nתmero de desgraחados; enfim, onde todo homem de boa-vontade esteja certo de lhe nדo faltar o necessבrio.”
Poderia a sociedade reger-se unicamente pelas leis naturais, sem o concurso das leis humanas?
“Poderia, se todos as compreendessem bem. Se os homens as quisessem praticar, elas bastariam. A sociedade, porיm, tem suas exigךncias. Sדo-lhe necessבrias leis especiais.”
“O direito de alguns tornou-se o direito de todos; mas, para que o direito soberano seja conforme com a justiחa e produza seus frutos, י necessבrio que o conhecimento das leis morais venha regular o seu exercםcio.” (Denis)
Qual a causa da instabilidade das leis humanas?
“Nas יpocas de barbaria, sדo os mais fortes que fazem as leis e eles as fizeram para si. A proporחדo que os homens foram compreendendo melhor a justiחa, indispensבvel se tornou a modificaחדo delas. Quanto mais se aproximam da vera justiחa, tanto menos instבveis sדo as leis humanas.
A civilizaחדo criou necessidades novas para o homem, necessidades relativas א posiחדo social que ele ocupe. Tem-se entדo que regular, por meio de leis humanas, os direitos e deveres dessa posiחדo. Mas, influenciado pelas suas paixץes, ele nדo raro hב criado direitos e deveres imaginבrios, que a lei natural condena e que os povos riscam de seus cףdigos א medida que progridem. A lei natural י imutבvel e a mesma para todos; a lei humana י variבvel e progressiva. Na infגncia das sociedades, sף esta pode consagrar o direito do mais forte.”
“Bem aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vףs.”(Mateus, 5)
No estado atual da sociedade, a severidade das leis penais nדo constitui uma necessidade?
“Uma sociedade depravada certamente precisa de leis severas. Infelizmente, essas leis mais se destinam a punir o mal depois de feito, do que a lhe secar a fonte. Sף a educaחדo poderב reformar os homens, que, entדo, nדo precisarדo mais de leis tדo rigorosas.”
“Juiz manda Naya indenizar logo moradores do Palace II.”
O acordo de indenizaחדo de 11 moradores do edifםcio Palace II, que desabou em fevereiro matando oito pessoas, no Rio de Janeiro, terב que ser cumprido atי 31 de agosto pelo ex-deputado Sיrgio Naya, dono da Construtora Sersan. A decisדo foi tomada ontem pelo juiz Rogיrio de Oliveira Souza, da vigיsima Vara Cםvil do Rio. Se Naya nדo pagar, poderב ser decretada intervenחדo judicial em suas empresas. (O Globo, terחa-feira, 4 de agosto de 1998, pבgina 15).
A Filosofia Espםrita de Educaחדo passa pela valorizaחדo da busca incessante da verdadeira realidade do ser multidimencional, perseguindo as condiחץes que favoreחam a perfectibilidade relativa possםvel em tempo menor. O exercםcio da razדo, apoiada no sentimento, י o seu mיtodo e seus dois preceitos fundamentais prevך o desenvolvimento harmonioso entre os domםnios cognitivos e afetivo (Amai-vos e Instrui-vos). No processo de educaחדo dos espםritos, num planeta ainda de provas e expiaחץes, hב a coexistךncia de livre-arbםtrio e determinismo. Na medida que avanחamos conquistando crיditos, vamos verificando o aumento de um (livre-arbםtrio) em detrimento do outro (determinismo). Espםritos primבrios construםmos e reencarnamos numa sociedade egoםsta, onde encontramos toda sorte de desigualdades sociais, injustiחas, violךncias, etc., o que por sua vez favorece frustraחץes, sofrimentos e dores diversas.
A proposta da Educaחדo י a produחדo de homens voltados para o bem, que transformarדo as Instituiחץes humanas. Daם ser fundamental o estudo do homem, levando ao autoconhecimento, desenvolvendo valores יticos-morais que irדo libertando o espםrito da influךncia da matיria e conduzindo-o א verdadeira felicidade. O espםrito torna-se herdeiro de si mesmo, arquiteto do prףprio destino, extraindo das suas conquistas e derrotas a experiךncia necessבria a libertaחדo espiritual.
De que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso?
“Destruindo o materialismo, que י uma das chagas da sociedade, ele faz que os homens compreendam onde se encontram seus verdadeiros interesses. Deixando a vida futura de estar velada pela dתvida, o homem perceberב melhor que, por meio do presente, lhe י dado preparar o seu futuro. Abolindo os prejuםzos de seitas, castas e cores, ensina aos homens a grande solidariedade que os hב de unir como irmדos.”
Por que nדo ensinaram os Espםritos, em todos os tempos, o que ensinam hoje?
“Nדo ensinais אs crianחas o que ensinais aos adultos e nדo dais ao recיm-nascido um alimento que ele nדo possa digerir. Cada coisa tem seu tempo. Eles ensinaram muitas coisas que os homens nדo compreenderam ou adulteraram, mas que podem compreender agora. Com seus ensinos, embora incompletos, prepararam o terreno para receber a semente que vai frutificar.”
“Irmדos, nדo sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malםcia e adultos no entendimento” (I Corםntios, 14:20)
“Com leite vos criei, e nדo com manjar, porque ainda nדo podםeis, nem tדo pouco ainda agora podeis…” (I Corםntios, 3:2)
Por que os espםritos nדo apressam esse progresso, por meio de manifestaחץes tדo generalizadas e patentes, que a convicחדo penetre atי nos mais incrיdulos?
“Desejarםeis milagres; mas, Deus os espalha a mancheias diante dos vossos passos e, no entanto, ainda hב homens que o negam. Conseguiu, porventura, o prףprio Cristo convencer os seus contemporגneos, mediante os prodםgios que operou?
Em sua bondade, Deus lhes deixa o mיrito de se convencerem pela razדo.”
“O progresso י a aspiraחדo pelo melhor, pelo belo; י a prova da existךncia em nףs de um princםpio superior, de alguma coisa grandiosa, quase divina, que nos encaminha para destinos mais altos, que nos lanחa sempre para frente, nos domםnios do pensamento e da consciךncia.” ( Denis)
Vocך ainda se lembra dos seis estבgios do desenvolvimento moral?
Brito (1) informa que os estבgios sדo universais, pois estudos transculturais efetuados por Kohlberg indicaram que a seq?ךncia dos estבgios se mantיm sob diferentes condiחץes culturais, embora os dois תltimos estבgios nדo se desenvolvam claramente em comunidades primitivas. Os estבgios, ainda, sדo hierבrquicos, isto י, nדo י possivel atingir-se um estבgio mais alto sem haver passado pelos precedentes. A pessoa pode estacionar em qualquer estבgio, mas, se retomar seu desenvolvimento, deverב fazך-lo degrau por degrau, sem saltos.
Acredito que a conclusדo do educador nדo se afasta da resposta obtida por Kardec na questדo 778. Kohlberg diz que “as mudanחas no desenvolvimento moral sדo irreversםveis: se um indivםduo atinge um estבgio mais elevado, nunca voltarב a um estבgio inferior.”
Este enfoque, denominado cognitivo-desenvolvimentista, que assume que o indivםduo י capaz de auto-aperfeiחoamento, parece entrar em choque com o pensamento comportamentista, onde o desenvolvimento moral compreende a internalizaחדo de normas e valores culturais atravיs de reforחo e imitaחדo de modelos. No entanto, nדo parece ser תtil considerב-los como mutuamente exclusivos.
Uma questדo feita por Kardec (de nתmero 625) foi respondida lembrando o reforחo e a imitaחדo de modelos. Mas na 624 ele indaga sobre o carבter do verdadeiro profeta. A resposta י pequena, mas significativa: “o verdadeiro profeta י um homem de bem inspirado por Deus. Pode-se reconhecך-lo por suas palavras e por suas aחץes. Deus nדo pode se servir da boca do mentiroso para ensinar a verdade.”
Qual י o tipo mais perfeito, que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e de modelo? A resposta fala de altos nםveis no domםnio cognitivo e afetivo, mas sobretudo no patamar mais alto, o da “Consciךncia Cףsmica”. ֹ a mais breve: “Jesus”.
“Ninguיm pode negar a beleza dos seus ensinos. E, mesmo que alguns desses ensinos tenham sido apresentados antes, a verdade י que ninguיm os expressou tדo divinamente como Ele.” (Einstein)
Os escribas e fariseus Lhe trouxeram uma mulher que havia sido apanhada em adultיrio e pediam sua opiniדo. Na realidade queriam apenas um pretexto para acusב-lo. Se Ele opinasse pelo apedrejamento, para dar cumprimento a Lei de Moisיs, estaria indo contra seus prףprios ensinamentos de amor, perdדo, caridade. Se dissesse que a mulher nדo deveria receber castigo tדo severo, estaria indo contra a lei mosaica. ֹ aqui que entra a autoridade moral, a inteligךncia emocional, associada ao mais alto nםvel do domםnio cognitivo.
Ele havia dito que nדo veio destruir a lei ou aos profetas e sim dar-lhe cumprimento. Lavaria as mדos? Mas, e a caridade? O que fez? Ele argumentou e evitou o apedrejamento.
A reflexדo fך-los perceber a magnitude da resposta. A viagem interior retrospectiva levou o grupo a dispersar-se. ֹ o momento de transiחדo entre a consciךncia de sono e a consciךncia desperta. ֹ o salto para ףrbitas mais altas, para nםveis mais elevados.
Para Kohlberg, citado por Brito (2) o desenvolvimento moral envolve seis estבgios, correspondendo a trךs nםveis: 1. Nםvel prי-convencional (estבgios 1 e 2); 2. Nםvel convencional (estבgios 3 e 4); 3. Nםvel pףs-convencional, como descrito anteriormente.
Repetimos, os estבgios sדo universais e hierבrquicos: estudos transculturais indicaram que a seq?ךncia dos estבgios se mantךm sob diferentes condiחץes culturais, embora os dois תltimos estבgios nדo se desenvolvam claramente em comunidades primitivas.
Por outro lado, nדo י possםvel atingir-se um estבgio mais alto sem haver passado pelos precedentes. Outra observaחדo, extremamente importante, י que as mudanחas no desenvolvimento moral sדo irreversםveis, a pessoa nunca mais serב a mesma, nunca voltarב a um estבgio inferior. Jesus sabia e por isso dialogou com a mulher, fazendo o reforחo da aחדo pedagףgica. E, ela nunca mais pode esquecך-lo.
Foi assim com Saulo de Tarso, que aproveitou o momento. Com Kardec foi assim tambיm, veja o resultado que י “O Evangelho Segundo O Espiritismo”.
A autoridade da sentenחa estב na razדo da autoridade moral do juiz que a pronuncia.
“Quem atirou a primeira pedra?
Vocך foi contra ou a favor do aborto, quando perguntado na primeira vez?
Lembra-se da questדo central e do Antonio M. Martins, ex-leproso do outro lado da fronteira, dizendo-me que “experiךncia vivida nדo podia ser transmitida”?
Pois bem, a vida nos coloca em situaחץes onde temos que tomar decisץes difםceis. O que י legal pode nדo ser moral.
Por isso no estבgio 5 acredita-se que a lei pode ser mudada em funחדo de consideraחץes sobre a sua utilidade social. No entanto, quem estב num estבgio inferior pode querer uma lei que atenda a sua visדo ainda nublada pela consciךncia que dorme. Nicodemos era doutor da lei, mas nדo entendeu quando Jesus falou das coisas de nascer de novo. O Doutor tinha nםvel baixo e pensou num homem velho e num velho תtero. Ele nדo conseguiu perceber que o ser evolui em etapas na matיria , a persona, e fora da matיria, o espםrito.
Ninguיm voltou para nos contar como י a vida fora do plano fםsico, diz o desinformado. Sדo inתmeros os depoimentos que passaram pelo crivo do bisturi da Ciךncia. O espםrito volta e se reconhece a persona. Humberto de Campos escreveu um artigo a Agripino Griecco, na frente do prףprio crםtico, que nדo pode deixar de declarar: “Como, eu nדo sei, mas que era Humberto nדo hב dתvida!”
Quando o homem subiu vבrios degraus do desenvolvimento moral ele י capaz de declarar: “Como, eu nדo sei, mas…”
Chico Xavier tem feito muitas mדes, que choram de saudade, chorarem de alegria!
Lembro, agora, do apelo feito pelo doutor Leyeune: “gostaria que as pessoas consideradas normais, cada vez que encontrassem um portador da Sםndrome de Down, acreditassem nele. Nדo hב gente mais sincera no mundo em que vivemos”.
O professor Jיrome Leyeune foi convidado a participar de um Congresso de Medicina Fetal no Brasil. Os conferencistas ingleses e franceses organizaram um boicote e ele teve a palavra cassada. Sua crםtica ao aborto י uma afronta א vertente materialista da ciךncia. Indagado sobre o problema ele disse que: “י uma profunda intolerגncia, que nega os princםpios de democracia e de liberdade, princםpios que os prףprios defensores do aborto utilizam como argumento para justificב-lo”.
“Bem aventurados os perseguidos por causa da justiחa, porque deles י o reino dos cיus.” (Mateus, 5)
A presenחa do mיdico na televisדo francesa י tacitamente proibida, porque ele afirma que “sugerir que se elimine este ou aquele ser humano, porque possui uma anomalia, י um comportamento racista”. “O aborto resolve o problema dos pais, nדo dos filhos”.
Jב de posse da medicina do terceiro milךnio ele afirma: “Um feto י sempre um feto. Se ele י doente, devemos estar a seu serviחo, e nדo ajudב-lo a morrer”.
Leyeune “foi” despedido por Justa Causa, porque sabe que a Causa י Justa. Nesses momentos de decisדo י que temos a dimensדo da nossa estatura evolutiva.
As almas dos homens que jב viveram na Terra voltam a nos alertar. Agora י Victor Hugo escreve “Do Abismo ְs Estrelas” dizendo em seu prefבcio (25/12/1974):
“No momento em que a eutanבsia י justificada por eminentes sacerdotes da Medicina, ganhando manchetes sensacionalistas nos periףdicos do mundo; durante a vigךncia de leis que legalizam o aborto em diversos paםses civilizados da Terra; quando a Franחa encaminha ao Senado um projeto para a interrupחדo legal da gestaחדo atי dez semanas apףs a concepחדo sob aplauso da Cגmara dos Deputados e o entusiasmo de homens e mulheres ilustres, revogando a Lei de 1920 que o condenava, e favorecendo o infanticםdio; diante da audבcia humana que pretende negar א posteridade o direito de nascer ou de renascer na escola terrena, י impossםvel silenciar as conseq?ךncias que defluem de tais ignףbeis atitudes, desgraחando os seus autores antes como depois da desencarnaחדo.
Amordaחar a verdade י compactuar com o crime e a mentira.
Aplaudir o erro somente porque este recebe o transitףrio aval dos homens significa conspurcar a dignidade individual e enxovalhar a inteligךncia e a cultura da Humanidade.
Por tais razץes escrevemos este livro, pensando nos milhץes de criaturas que derrapam na direחדo de graves, desditosos compromissos por falta de advertךncia oportuna e de segura diretriz a fim de que perseverem no בspero e reto cumprimento dos deveres em relaחדo a si mesmos, א sociedade e א vida.
A quantos se encontram em tal encruzilhada de incertezas e indecisץes dedicamos esta Obra. (Salvador, Livraria Espםrita Alvorada, 1975,.323 p.)
Na Alemanha em 1939, professores e psiquiatras decidiram que se devia matar pessoas defeituosas, justificando que eram vidas que nדo valeriam a pena serem vividas. Seis anos depois a insensibilidade era tanta e o valor da vida caira tanto que pediatras, nos hospitais-escola, estavam matando crianחas que urinavam na cama, que tinham orelhas mal formadas ou incapacidade de aprender. Estas e outras desvalorizaחץes da vida , criando seres de segunda categoria, originaram os campos de concentraחדo e os incineradores humanos.
“Nדo lembramos todas essas coisas com o objetivo de reavivar ףdios extintos. Nדo, ףdio nדo temos mais. Devemos alertar os homens que preconizam as instituiחץes da Idade Mיdia, que as elogiam e que, se pudessem, fariam renascך-las. Com a mדo sobre a Histףria, devemos responder e dizer uma coisa: a verdade!.” ( Denis)
Gostaria de terminar voltando א questדo inicial.
Deve-se aceitar o aborto para “salvar a vida” da gestante HIV-positiva, grבvida pelo estupro?
Um profissional da בrea de saתde, bem informado e pertencente א vertente espiritualista da ciךncia, certamente responderia dizendo que esta י uma matיria sem resposta definitiva, no que diz respeito א influךncia da sorologia positiva no processo gestacional e da prףpria saתde do feto. Nדo existe nenhum argumento יtico, jurםdico ou tיcnico, capaz de fundamentar a interrupחדo de uma gravidez numa mulher soro-convertida ou mesmo jב doente de Aids, a nדo ser que suas condiחץes de saתde sejam agravadas pela gestaחדo, que cessada a gravidez cesse o perigo e que nדo haja outro meio de salvar-lhe a vida.
No naufrבgio vocך e a filha se separam. As ondas as afastam. De repente uma crianחa agarra-se a vocך… E, vocך decide!

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